Desembarque do PDT da gestão Rui Costa teve chefe de gabinete ‘exonerando’, ‘traição’ de deputados e narrativa de ruptura unilateral

Foto: Divulgação PDT

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O desembarque do Partido Democrático Trabalhista do Governo Rui Costa (PT) teve comunicado de exoneração via chefe de gabinete, ‘traição’ de parlamentares e narrativa de que o rompimento não se deu com a sigla, mas apenas com o chefe dela no estado.

Na última quarta-feira (19), foi publicado no Diário Oficial do Estado a exonerado o agrônomo Lucas Costa do comando da Seagri (Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura). O ato havia sido comunicada pelo governador da Bahia através de uma live na última terça-feira (18), quando anunciou que caberia ao PSB o comando da Seagri. 

Apuração do OFF News havia mostrado que comunicado da saída de Lucas foi feita pelo Chefe de Gabinete do governador Rui Costa (PT), Cícero Monteiro, no início de Maio.  O agrônomo era indicado pelo presidente do partido na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça, que ainda conta com sua irmã, Andréia Mendonça, integrando os quadros do governo, na chefia da Junta Comercial da Bahia. Andréia deve ser exoneradas nos desdobramentos da minirreforma administrativa promovida por Rui Costa.

“A retirada da secretária rompe o acordo costurado em 2018, mas não muda nada nas decisões do partido. Eu e o secretário não nos encontramos com o governador para sermos comunicado, mas o Lucas foi informado da saída por outra pessoa. Os espaços do governo são do governador, é uma decisão dele escolher quem irá ocupá-los. Cabe a gente agradecer a população por ter tido a oportunidade de servir à Bahia, coisa que fizemos muito bem”, destacou Mendonça. 

Há duas teses que explicam o desembarque do PDT do governo Costa. A primeira é territorial: o apoio da sigla ao nome de Bruno Reis (DEM), candidato à sucessão de ACM Neto, foi considerado uma traição pelo governador, que contava com o apoio da legenda para dar robustez à sua estratégia de pulverização de candidaturas. Apesar do PT e PDT seguirem firmes em alianças em diversas cidades do estado, o governador havia decidido romper com Félix Mendonça. A outra trata de um rearranjo nacional: o rompimento de Ciro Gomes com Lula e sua guinada à centro-direita, com críticas ácidas contra o ex-presidente pelo PT, aceleraram o processo de afastamento das legendas históricas em todo o país. 

Alinhamento

Antes do comunicado oficial da saída do indicado de Mendonça do governo, parlamentares estaduais e federais da legenda foram recebidos por Rui Costa; e, dias antes do anúncio das mudanças promovidas pelo chefe do executivo estadual, os deputados do PDT foram à imprensa informar que seguiam na base do governador do PT e que o ato se tratava de uma ruptura do presidente estadual da legenda com o chefe do executivo estadual. 

Como resultado do apoio ao governador, parlamentares do PDT tiveram suas indicações preservadas nas secretarias e órgãos do governo do estado, a exemplo do Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade (Ibametro), que segue com indicações do deputado estadual Roberto Carlos. 

“Olha, foi o governador que decidiu romper com o PDT, e os deputados do partido, e é natural, por terem uma relação de amizade, respeito com o governador, foram a público dizer que seguem com ele. Agora, não foi uma decisão personificada como alguns disseram, entre Félix e o governador”, ressaltou Mendonça, que seguiu avaliando: “ao romper com o partido, é natural que o partido busque outras alianças e que caso sejam de campo oposto, os parlamentares do PDT deverão seguir o partido; ao menos que queiram procurar um outro abrigo, mas quero deixar claro que o PDT não irá expulsar ninguém”.

O OFF News sondou interlocutores da legenda e todos foram unânimes em destacar que o apoio público dos parlamentares gerou um profundo mal-estar na legenda, e que não há garantia que eles poderão concorrer pela sigla em 2022. Um chegou a declarar: “Estão todos fora”.

2022

Félix prometeu trabalhar para eleger muitos quadros em 2020 e disse que ainda não há acordos fechados, como afirmou Ciro Gomes em entrevista nesta semana, de que o seu plano na Bahia é apoiar ACM Neto. 

“Vamos lançar o Lucas [Costa] como deputado, ele fez um grande trabalho. Nós estamos tratando de organizar o partido para fazermos uma nominata em 2022, essa é a nossa preocupação, muito mais do que ocupar espaços fisiológicos”, destacou Mendonça.

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