Presidente da CPI Covid diz que Queiroga será ouvido novamente

Senado

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O presidente da CPI da Covid, Omar Azzi (MDB-AM), afirmou, em entrevista ao Correio Braziliense, que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, da Saúde, deverá ser ouvido novamente pela comissão de inquérito, por se esquivar de perguntas chaves e emitir posicionamentos invasivos: “Está patente que ele é contra, mas, para não magoar o presidente, ele não fala”, salienta Aziz, acrescentando que o depoimento do ministro “foi um dos piores” e que, por essa razão, ele “dificilmente não será reconvocado” para depor”.

Segundo o presidente da CPI Covid, Queiroga deve ser ouvido novamente também porque, apesar de dizer que tem autonomia no ministério, mantém na equipe a secretária de Gestão do Trabalho, Mayra Pinheiro, apelidada de “Capitã Cloroquina” nos corredores do bloco G da Esplanada.

Durante depoimento ao Ministério Público Federal do Amazonas, ela assumiu que, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, recomendou a médicos do estado o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com covid-19.

“Todo mundo que prescreve um medicamento sem ser profissional de saúde não está cometendo um ato certo. Têm pessoas que alastram uma mentira pelas redes sociais e, pior, têm pessoas que defendem aquilo com tal afinco que os desinformados podem se convencer. Quantas pessoas já tomaram essa cloroquina e tiveram arritmia no coração, sem ter noção do que estava acontecendo? Acho que nós temos que estabelecer leis rigorosas. A CPI tem que sair com propostas ao Congresso, aprovar uma lei muito rigorosa para quem prescreve medicamentos sem nunca ter passado na porta de uma faculdade de medicina”, destacou Azzi.

O senador do PSD do Amazonas ressalta que o papel da CPI não será apenas de investigar as ações e omissões do governo federal na pandemia do novo coronavírus, mas de propor legislações para evitar, por exemplo, que ocorra uma promoção de medicamentos sem eficácia comprovada.

“Acho que nós temos um caminho tortuoso a perseguir, dentro da CPI, e sair com uma proposta que possa prevenir não apenas esta geração, mas, também, as outras gerações de outras pandemias. Aqui, no Amazonas, ontem (sexta-feira), houve um aumento significativo de casos (de covid-19) e, se você olhar, é parecido com janeiro (deste ano) e com o início da pandemia”, pontuou o parlamentar e presidente da comissão de inquérito do Senado Federal.

O presidente da CPI da Covid fez uma avaliação sobre os passos da comissão do Senado para semana de 9 a 14 de maio.

“Vamos ouvir a Anvisa (na pessoa do diretor-presidente Antonio Barra Torres), que, técnica e cientificamente, falará muitas coisas que a gente não entende. Tem um quadro de cientistas muito bom na Anvisa. Também vai depor (dois representantes da) Pfizer e vai o Fabio Wajngarten (ex-secretário de Comunicação do governo) depois, porque ele tentou negociar — negociar, não, intermediar — com o laboratório. E, ontem (sexta-feira), saiu uma matéria dizendo que nós (Brasil) estamos negociando vacinas (com a Pfizer) a um preço um bilhão mais caro. Eu não sei se isso é verdade, mas lógico que será perguntado pela CPI porque você ia comprar 70 milhões (de doses de vacina) numa época em que o governo entendeu que nós é que tínhamos que impor condições para comprar. Não foi essa a questão? Então, quando eu contrato o (Instituto) Butantan ou contrato outras vacinas, nós vamos ver qual a diferença com o contrato da Pfizer. Se a gente tem vacina hoje, isso se deve à China, porque a CoronaVac é aplicada em 90% das pessoas vacinadas no Brasil”, destacou Omar Aziz.

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