O senador Angelo Coronel (PSD) criticou, em entrevista ao OFF News nesta sexta-feira (7), o comportamento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que solicitou o adiamento de seu depoimento na CPI da Covid, alegando ter tido contato com assessores diagnosticados com Covid-19, e recebeu, no dia seguinte ao que seria de sua oitiva, em sua hospedagem, no hotel de trânsito do Exército Brasileiro, Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Onyx Lorenzoni, responsável pela coordenação da defesa do governo na comissão de inquérito que investiga ações e omissões do governo federal na condução da pandemia do novo coronavírus.
“É um absurdo ele rejeitar a convocação da CPI inventando uma doença, uma contaminação ou risco de contaminar e ao mesmo tempo ele recebe um ex-colega, o Ministro Onix. O presidente da CPI deve tomar atitudes para que o depoimento dele seja colhido. É um depoimento dos mais esperado no seio da CPI”, destacou Coronel.
De acordo com o canal CNN Brasil, Pazuello estuda entrar com um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para não comparecer à CPI da Covid, para ir e ficar em silêncio ou para responder apenas algumas perguntas, sem sofrer pressão nas que negar a emitir uma resposta. O vice-presidente da CPI da Pandemia, Randolfe Rodrigues (REDE), solicitou ao ex-ministro da Saúde que apresente à comissão o teste da Covid-19 para que seja averiguado se ele realmente foi infectado pelo vírus respiratório.
Em um balanço do semana da primeira semana de oitivas da comissão, o senador do PSD sinalizou o “treinamento” dos ex-ministros da Saúde Nelson Teich e do atual comandante da pasta, Marcelo Queiroga, na CPI da Covid, que evitaram polêmicas e ataques a membros do governo e ao presidente da República. Quando ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, o parlamentar baiano questionou se críticas direcionadas ao presidente da República, sem tratar de falhas de suas gestão, não teriam caráter eleitoreiras:
O ministro Queiroga é um craque, conversou, conversou bem a tarde toda, entrou pela noite, mas sempre deslizando. O Mandetta, oito dias antes de sair, endeusava o Bolsonaro e, depois que saiu, começou a atacar o governo; então a gente também fica na dúvida se esses ataques não são para se promovê-lo para uma possível candidatura à presidente da República”, pontuou Angelo Coronel.
O membro da CPI da Covid e presidente da CPMI das Fake News voltou a alertar os membros da comissão de inquérito de modo a evitar o caráter eleitoreiro dos questionamentos: “Nós não podemos deixar que a CPI se transforma em um palco de pessoas que querem se projetar e se promover para disputar futuro os cargos em 2022”.



