O senador Otto Alencar (PSD) classificou como um balde de gasolina no incêndio, a entrevista do ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro à Revista Veja desta semana.
Fabio Wajngarten, que deixou o cargo em março, culpou a gestão do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pelo atraso no processo de vacinação no Brasil.
Na mesma entrevista ele eximiu o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), de culpa, afirmando que o chefe do executivo federal era “abastecido com informações erradas”.
“Ele já seria ouvido, por ter sido secretário de comunicação, mas suas declarações colocam Pazuello em uma situação complicada, ao dizer que houve omissão na compra de vacinas. Para você ver como anda a República, ele disse que chegou a procurar o ministro do STF, Gilmar Mendes, para tomar providência… Essa falta de planejamento do governo na aquisição das vacinas será tratada pela CPI e certamente ele terá que ser chamado para dar explicações”, destacou Alencar.
O parlamentar, por ser o membro mais velho da CPI da Covid, deve abrir os trabalhos da comissão de inquérito na próxima terça-feira (27), quando será eleito o presidente e vice, e escolhido o relator.
Alencar avalia que o ex-secretário de Comunicação tentou blindar o presidente da República na entrevista, mas que o fato acabou gerando o efeito contrário do esperado para quem leu a entrevista.
“Ele acusa Pazuello e deixa claro que o presidente não tomou uma posição, o que fragiliza ele e o presidente. Se fez isso na tentativa de excluir o presidente, acabou colocando no olho do furacão ele e Bolsonaro. Esse Fábio, que foi secretário, está vendo o circo pegar fogo e chegou com balde de gasolina, é preciso apurar, investigar com muita isenção e imparcialidade”, ressalta o senador do PSD.
Otto pontua que o objetivo da CPI da Covid não será investigar pessoas, mas os fatos e ouvir pessoas para avaliar se houve eventuais erros ou negligência, enviando ao Ministério Público Federal um relatório robusto: Isso narrado pelo secretário é um fato novo que compromete a figura do ex-ministro da Saúde, já tínhamos conhecimento de alguns fatos narrados por ele, inclusive o TCU já tinha entrado contra ele, foi denunciado pelo TCU”.
Otto lembra que em um situação de pandemia, com crescimento no número de contaminados e mortes, no país afligido pelo desemprego, com a inflação ameaçando voltar, não se pode querer usar uma comissão parlamentar de inquérito de forma político-partidária, sob pena de provocar um caos ainda maior no Brasil: “É preciso apurar, mas mantendo o país de pé, para que as coisas possam funcionar. A estrutura de saúde montada no país para salvar vidas tem que estar de pé, parece que desde que instalou a CPI não estamos mais vivendo uma crise sanitária com pessoas morrendo”.
Otto Alencar acredita que o comando da CPI da Covid deverá ser decidido em um bate chapa entre os senadores Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Girão (Podemos), desconstruindo assim um acordo selado há duas semanas: “Não tem acordo, o Girão deve apresentar sua candidatura, um ganha outro perde, é normal”.



