Após o vereador e líder do Patriotas, Átila do Congo (Patriotas), manifestar, na tribuna da CMS (Câmara Municipal de Salvador), sua insatisfação com o líder do governo, Paulo Magalhães Jr. (DEM) – pela dificuldade na tramitação de projetos de vereadores do bloco governista e no acesso ao chefe do executivo -, o prefeito Bruno Reis (DEM) sinalizou, em coletiva virtual, na manhã desta sexta-feira (9), que segue confiando no trabalho do líder de seu bloco na Câmara.
“Enviamos projetos para Câmara e, pelo trabalho do líder do governo, todos foram aprovados em menos de 24 horas. Quero dizer obrigado, que confio no seu trabalho e sei que você tem todas condições para continuar realizando o seu trabalho, como tem realizado, como líder do governo”, destacou Reis, durante coletiva virtual de balanço dos 100 dias de gestão.

O OFF News ouviu os vereadores da base governista na CMS, que negam que haja um clima de insatisfação geral com o líder do Governo na Casa.
Eles criticaram o posicionamento do colega, recém chegado ao Paço Municipal – assumiu a vaga deixada pelo vereador Daniel Rios, que morreu em fevereiro -, de tornar pública sua insatisfação e duvidam que ele irá para a Oposição, em referência ao discurso feito pelo líder do Patriotas, que prometeu convidar seus colegas de legenda, Roberta Caires (Podemos) e Sandro Bahiense (Podemos), para migrarem ao bloco antagônico do qual fazem parte, na busca por serem ouvidos.
“Ele dizer que está disposto a ir para oposição, não é caminho, isso cria uma fratura exposta, tornar isso público gera um desgaste, isso é algo que poderia ser resolvido internamente. Ele tem por trás alguém que faz oposição ao governo, e por isso se sente grande, maior do que é. Nós entendemos o lado do gestor, sabemos das dificuldades da pandemia. Mas é assim mesmo, quem cresceu a vida inteira no conflito, na base do grito, acha que vai resolver tudo com tapa na mesa”, pontuou um parlamentar que não quis se identificar.
O vereador alerta que, ao tornar público na tribuna da Casa todas as suas insatisfações, o líder do Patriotas corre o risco de se tornar “persona non grata” no grupo e que avalia que “no fundo” as críticas do vereador do parlamentar são fruto de “jogo de cena” e “marketing” na busca por mais espaço.
Posicionamento
O vereador Palhinha (DEM) diz entender a insatisfação de Átila do Congo, e pontua que a pandemia provocou uma mudança na agenda do prefeito de Salvador, reduzindo o tempo disponível para atender os vereadores, mas avalia que não é indo à público fazer ameaças que conseguirá ser ouvido.
“Tem alguém nos bastidores insuflando ele, dando dicas do que deve fazer. Ele é recém chegado, mas vai aprender logo que no parlamento não é chutando balde que se constrói as coisas, tem que sentar na mesa e dialogar. Eu sei das dificuldades do prefeito, é momento difícil, a base está sofrendo, mas é preciso entender que a pandemia se alastra. Eu estou aguardando uma audiência desde fevereiro, mas sei que a prioridade não é minha audiência, e nem por isso fui na tribuna reclamar”, destacou Palhinha.
O parlamentar do Democratas defendeu Paulo Magalhães (DEM), que classificou como o dono de uma “liderança comprometida com os interesses da cidade e com diálogo sempre aberto com todos os vereadores”.
O vereador Henrique Carballal (PDT) lembra que a escolha de Magalhães foi política, e que ele, dentre os 43 vereadores, como líder do governo, é quem “fala como se fosse o próprio prefeito na Casa”, e que, diante disso, ao atacar o líder do governo, “Átila do Congo ataca o próprio Bruno Reis (DEM)”.
“Precisa ficar claro para todo mundo que, ao atacar o líder do governo, ele está atacando a gestão, o Bruno Reis; nesse aspecto, na política, não tem duas opções: ou se é base ou não é. Quando se é base, precisa, caso tenha uma crítica, externá-la internamente, quando critica publicamente a gestão, não está sendo base”, afirmou Carballal.
O líder do PDT na Câmara questiona quais os interesses do parlamentar do Patriotas ao externalizar suas insatisfações.
“Ele critica dizendo que não está sendo atendido, em um momento de pandemia, em meio à maior crise sanitária que a cidade e o país já viveu…o que Átila quer? Cargo, Obra, o que leva ele a anunciar que vai para oposição? Pois fazendo isso ele já está agindo como opositor, posso entender que seja por conta da inexperiência, mas ele precisa entender o momento que estamos vivendo”, destacou Carballal.
Henrique Carballal afirma que Paulo Magalhães “goza do prestígio do prefeito, do meu e de todos vereadores da base”: Quem torcer pelo insucesso da gestão Bruno Reis vai quebrar a cara. Atacar Paulo agora, que é o elo mais fraco neste momento, é uma covardia, uma incapacidade de entender o momento, é lamentável”.



