O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), buscou um tom conciliador e evitou críticas agudas ao presidente da República em entrevista à Veja, publicadas nas páginas amarelas da edição disponibilizadas nesta sexta-feira (2).
Questionado se demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e do alto comando das Forças Armadas, seria uma tentativa de cooptação das Forças Armadas para interesses políticos de Bolsonaro, o presidente do Congresso Nacional pontuou:
“O presidente respeita muito as Forças Armadas, e é muito importante que elas sejam preservadas, inclusive da própria política. As Forças Armadas não promovem a guerra, elas promovem a paz. Por isso, espero que se mantenham dentro dos seus propósitos constitucionais e equidistantes da política. Tenho convicção de que as trocas no Ministério da Defesa e no comando das Forças Armadas não representam risco de radicalismo e de ameaça às instituições. Temos uma democracia consolidada e garantida, inclusive, pela maturidade das Forças, que compreendem o seu papel e entenderão que a política anda por si só”
Rodrigo Pacheco
A demissão de Azevedo e Silva e dos chefes da Marinha, Exército e Aeronáutica foram motivadas pela recusa dos mesmos em endossar manifestações contra o lockdown e pela instalação de um estado de sítio no Brasil, feitas de forma recorrente por Bolsonaro, como uma estratégia para ter poder de veto sobre decisões de prefeitos e governadores.
Pacheco classificou o possível impeachment de Bolsonaro como um fator de desestabilização para o país.
“Considero que neste momento, em que precisamos de união, de soma de esforços e da liderança do presidente da República, qualquer tipo de cogitação de impeachment do presidente seria um fator de desestabilização, tudo do que não precisamos agora. Além disso, não podemos banalizar o instituto do impeachment. O Brasil não pode se dar ao luxo de se desestabilizar numa autofagia neste momento”
Rodrigo Pacheco

Foto: Marcos Brandão/Senado Federal
O senador do Democratas de Minas também buscou colocar panos quentes sobre o comportamento negacionista do presidente, que segundo o líder do Senado, ficou no passado. Ele destacou que tratamento precoce é coisa para ciência e não para ele ou Bolsonaro estar ‘receitando’.
Não precisa ir longe para ver que Bolsonaro continua rezando pela mesma cartilha do início da pandemia. Em live realizada na última quinta-feira (1), ele disse defendeu o tratamento precoce sem comprovação científica: “O tratamento precoce virou crime. Então você segue o Protocolo Mandetta, vai para Casa e quando tiver com falta de ar procura uma emergência”.
“A resposta sobre tratamento precoce tem de ser dada pela comunidade científica, pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O presidente pode ter a opinião dele, eu posso ter a minha, mas esse é um assunto da comunidade médica. Não nos cabe fazer propaganda nem demonizar qualquer tipo de remédio. Cabe aos médicos, uniformemente, entenderem o que é melhor para cada paciente doente de coronavírus. O negacionismo, que era uma tese no começo da doença, hoje é uma brincadeira de mau gosto, inapropriada, medieval, macabra. Não podemos mais admitir que se negue o que estamos vendo, atingindo inclusive crianças e jovens”, ressaltou Pacheco.
Pacheco, que diz na entrevista não ser aliado de Bolsonaro, mas um senador independente eleito por várias forças no Senado, jogou um balde de água fria sobre os planos da oposição para instalar um CPI para investigar as ações do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. Para ele, investigação do governo anteciparia palanque político de 2022.
Temos de buscar medidas eficientes para dar solução aos problemas de contaminação excessiva, de falta de leitos, de falta de oxigênio, de atraso na vacinação. O que podemos fazer imediatamente para remediar isso? Não é uma comissão parlamentar de inquérito. Não podemos antecipar um palanque político de 2022 para o ambiente do Congresso, politizando uma pandemia cuja gravidade é conhecida por todos. Isso é injusto, desumano e desleal com o povo brasileiro.



