Otto Alencar responde ao líder de Bolsonaro que prometeu processar senadores da CPI da Pandemia

Otto Alencar

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O senador Otto Alencar (PSD) respondeu com desdém à ameaça feita pelo líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), durante sessão da comissão de ética na última quarta-feira (20).

Ricardo Barros (PP-PR) foi indiciado no relatório de Renan Calheiros por incitação ao crime, advocacia administrativa, formação de organização criminosa e improbidade administrativa

“A investigação provou que eu não participei, e ele (Renan) insiste em fazer uma tese que não tem fundamento nenhum. Vai responder juridicamente. E os outros senadores que votarem a favor do relatório também, na sucessão. Ele eu processo agora, quando ele divulga seu relatório. Os outros eu divulgo depois, quando votarem a favor do relatório dele sabendo que não tem os elementos”, afirmou Barros, que ressaltou que não há “uma virgula” contra ele.

Ao ser questionado acerca da ameaça do líder de Bolsonaro na Câmara, que prometeu acionar por abuso de autoridade e denunciação caluniosa os parlamentares que disserem “sim” ao relatório de Calheiros, o senador Otto Alencar (PSD) respondeu ao OFF News:

“Vou votar a favor. Nenhum receio dessa espuma”.

Investigação

A o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, elaborada por relator Renan Calheiros (MDB-AL), pede que a Receita Federal investigue as empresas do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O parlamentar do PP é alvo da comissão de inquérito do Senado por ter relação com o esquema da Covaxin e da VTC Log.

“Situações como as demonstradas pelos documentos apresentados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil demandam o aprofundamento das investigações fiscais por parte da Receita Federal em relação às empresas que possuem como sócio o deputado federal Ricardo Barros”, diz Calheiros, tratando de informações obtidas após quebras de sigilos fiscais e bancários de Barros.

O relator pede a mesma apuração em relação ao empresário Francisco Maximiano, sócio da empresa Precisa Medicamentos, que havia feito um contrato com o Ministério da Saúde ao custo de R$ 1,6 bilhão para a venda de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech.

Renan aponta no relatório que empresas do líder de Bolsonaro “têm comportamento operacional atípico”, com “quantidade de empregados absolutamente incompatível com o faturamento milionário que ostentam, sem emissão de documentos fiscais”.

Calheiros cita que o parlamentar é sócio de mais de duas dezenas de empresas, sendo uma delas a RCI Incorporações, a qual tem 50% de participação e sua esposa, os outros 50%. Em 2017, ano em que o parlamentar era ministro da Saúde, a empresa teve receita bruta no valor de R$ 1,8 milhão, sem emitir ou receber nota fiscal e tendo apenas um funcionário, segundo o relatório. Em 2019, a RCI distribuiu R$ 1,3 milhão a título de dividendos, sendo R$ 1,2 milhão para Barros e R$ 133 mil para sua esposa e sócia.

O relatório aponta que há fortes indícios da prática de advocacia administrativa por parte de Barros, “por seu poder de influência no Ministério da Saúde”; improbidade administrativa, por sua atuação em prol da empresa Belcher, que negociou vacinas no ministério; incitação ao crime, por disseminação de comunicações enganosas; e por organização criminosa no caso Covaxin.

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