Luis Miranda diz à CPI da Covid que Pazuello caiu por não aceitar liberar emendas e pagar propina e que Bolsonaro sabe quem está por trás do esquema da Covaxin

Luis Miranda

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O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, durante oitiva na CPI da Covid, que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confessou que foi demitido por não ceder aos interesses pouco republicanos de parlamentares ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O parlamentar narrou uma conversa, dentro de uma aeronave da Força Aérea Brasileira, que teve com o ministro pouco antes dele ser exonerado.

“Pazuello me disse, Luís, eu não duro mais, essa semana vou ser exonerado, tenho conhecimento de algumas coisas, tento coibir. Por exatamente não compactuar, eu vou ser exonerado. Usou expressão em tom de desabafo. […] Final do ano não quis dar o pixuleco, o cara olhou nos meus olhos, e disse: vou te tirar dessa cadeira. Falou apenas que pessoas muito poderosas, que são do parlamento, se não soltassem emendas para o grupo específico, entregaram uma lista para ele, ele estaria fora. Ele disse e cai na mesma semana; Pazuello tinha que ter vindo aqui e rasgado o verbo”, destacou Miranda.

Ele afirmou também que o presidente Jair Bolsonaro sabe quem são os indivíduos que estão por trás da tentativa de compra antecipada da Covaxin via uma empresa em um paraíso fiscal: “O Presidente sabe toda verdade, poderia me poupar constagrimento. Bastava falar que fui lá despachar com ele, sabe de quem é a confusão, citou o nome dessa pessoa, falou que mais ou menos presumia o tamanho do problema e que iria encaminhar para o DG da PF”.

O político disse que, com a denúncia, ele o irmão, um servidor público da Saúde, evitaram o MS de “pagar à vista um produto que até hoje não chegou no país”. Ele lamentou o fato do presidente Jair Bolsonaro não mais atendê-lo após um encontro onde relatou todo o fato.

“Madison, capital social de mil dólares, em um paraíso fiscal, offshore, disse ao presidente que não custa nada apurar. Não consegui mais falar com o presidente. O que responde muito ao que foi questionado. Pedidos ao ministro da Saúde. Depois que comuniquei ao presidente do caso eu não consegui mais falar com ninguém. Tive encontro no sábado e não tive mais resposta”, destacou Luis Miranda.

O político afirmou que ele e seu irmão levaram para o ministro Onyx Lorenzoni outras duas denúncias, de supostas irregularidades em contratos: “Aditivos aumentando preço de contratos. Visíveis que uma investigação séria iria descobrir algo. Duas vezes entreguei na mão do então ministro Onyx”.

CPI da Pandemia

Miranda presta depoimento ao lado de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que alega ter sofrido pressão para liberar a compra de quatro milhões de doses da Covaxin via pagamento adiantado, através da offshore Madison Biotech e não da Barth/Biotech, empresa ligada à Precisa Medicamentos e que estava prevista em contrato.

O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. A oferta inicial da Covaxin era de cerca de dois dólares a dose.

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