O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), abandonou a sessão da CPI da Pandemia da Covid, durante questionamento do senador Eduardo Girão (Podemos).
Antes de optar por abandonar a oitiva, foto proporcionado por estar munido de uma liminar do STF, o governador cassado em abril por denúncia de recebimento de propina sinalizou que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), possa estar envolvido indiretamente na morte da vereadora Mariele Franco (PSOL).
“Havia me comprometido com a família da Marielle, com a mãe, que havia recebido no Palácio de Guanabara, de que o governo faria de tudo para saber quem eram os executores e mandantes. Dois meses depois de ser eleito os executores foram presos. Perguntei aos delegados, o que tem de elemento do ponto de vista de autoria e mandate. Sugeri que abrissem um novo inquérito. A nova fase para encontrar o mandante do crime. Quando fez a prisão dos executores, deu se prosseguimento as investigação dos mandantes e chegou-se no porteiro. A partir daí o inquérito foi requisitado pelo Ministério da Justiça para coagir a testemunha, que não quis mais prestar depoimento, e logo em seguida veio o meu impeachment. E a investigação de Mariele caiu em banho maria”, destacou Witzel.
Conforme reportagem que foi ao ar no Jornal Nacional em 29 de outubro de 2019, um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde morava o policial reformado Ronie Lessa, afirmou, em depoimento, que o então deputado federal Jair Bolsonaro teria autorizado a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz. Jair Bolsonaro também tem residência no local.
Os ex-PMs Ronie Lessa e Élcio de Queiroz são apontados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como algozes de Marielle e do motorista Anderson Gomes.
“O porteiro, uma pessoa simples, prestou depoimento à Polícia Civil. Logo depois o ministro Moro, de forma criminosa, requisita um inquérito para investigar crime de segurança nacional porque o porteiro prestou depoimento para dizer que o executor da Marielle teria chegado no condomínio e mencionado o nome do presidente. Se isso é verdade ou não, não é problema meu, não tenho nada a ver com isso”, afirmou o ex-governador do Rio na oitiva, que seguei nas ilações: “Agora, o porteiro, que estava como testemunha, recebe uma intimação da Polícia Federal, que infelizmente não estou reconhecendo, há requisição do ministro da Justiça, o procurador-geral da República instaura inquérito para acuar. Eu sou jurista. É eminentemente uma coação da testemunha no curso do processo”, acrescentou.



