“Projeto parece ter sido feito para nunca sair do papel”, diz Tinoco após parecer do Iphan sobre ponte Salvador-Itaparica

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O vereador de Salvador Claudio Tinoco (União Brasil) afirmou que o projeto da ponte Salvador–Itaparica “parece ter sido feito para nunca sair do papel”, após o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não emitir manifestação favorável à licença de instalação da obra por considerar insuficiente a documentação apresentada pelo consórcio responsável.

Para Tinoco, que é presidente da Comissão Especial de Acompanhamento de Investimentos na Baía de Todos-os-Santos e na Orla, o episódio expõe fragilidades preocupantes em um projeto que se arrasta há quase 20 anos sem avançar de forma consistente.

“Estamos falando de uma obra anunciada há quase duas décadas e que, mesmo depois de tanto tempo, ainda não consegue apresentar estudos básicos considerados suficientes pelos órgãos técnicos. Isso revela um problema grave de planejamento e de condução”, afirmou.

O posicionamento do órgão consta no parecer técnico nº 22/2026, que considerou insuficiente o Relatório de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Imaterial apresentado pelo consórcio responsável. O documento também aponta ausência de comprovação adequada de consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais potencialmente afetadas.

Para o vereador, os apontamentos não podem ser relativizados pelo Governo do Estado.

“Não se trata de burocracia. Estamos falando da proteção de bens culturais reconhecidos nacionalmente, como o samba de roda, a capoeira, o ofício das baianas de acarajé e manifestações tradicionais do Recôncavo. Ignorar ou tratar isso com pressa é desrespeitar a história e a identidade do povo baiano”, disse.

Tinoco ressaltou que não é contrário à construção da ponte, mas defendeu que o projeto precisa sair do campo das promessas e entrar no terreno da responsabilidade técnica e da execução de fato.

“A Bahia precisa de obras estruturantes, sim. Mas precisa, sobretudo, de seriedade. Não é razoável que, após tantos anúncios e tantos anos de espera, o projeto ainda tropece em exigências básicas dos órgãos de controle e de questões tão importantes quanto a cultura do local”, pontuou.

O vereador cobrou transparência do Governo do Estado sobre quais providências serão adotadas para corrigir as falhas apontadas pelo Iphan.

“O que a sociedade espera é clareza, planejamento e respeito às comunidades impactadas. Desenvolvimento de verdade não se faz atropelando etapas nem acumulando pendências técnicas, muito menos enrolando a população com um projeto que parece ter sido feito para nunca sair do papel”, concluiu Tinoco.

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