Pela terceira vez em menos de duas semanas, a Justiça do Trabalho suspendeu o processo eleitoral do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA), citando a falta de transparência e a exclusão dos médicos filiados na condução da escolha da comissão eleitoral. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (4) e determina que o sindicato interrompa a reunião da diretoria e o sorteio da comissão previstos para os próximos dias.
A Justiça entendeu que a atual diretoria insistiu em manter um processo interno, sem edital, sem regras claras e sem permitir que os médicos interessados pudessem se inscrever. A escolha dos nomes estava sendo tratada como um “ato privativo da diretoria”, contrariando o estatuto da entidade e decisões judiciais anteriores, que exigiam abertura, publicidade e participação ampla da base.
Diante da reincidência, a multa por descumprimento foi aumentada para R$ 5 mil por dia. O objetivo da medida é forçar o cumprimento das normas básicas que regem qualquer processo eleitoral sindical: clareza de regras, igualdade de condições e respeito à participação dos filiados. A decisão ocorre em meio à mobilização de um movimento de médicos e médicas da Bahia que vêm alertando para a perda de responsabilidade institucional do sindicato e para a necessidade de reconstruir a interlocução, a unidade da categoria e a legitimidade da representação médica no estado.
Para o médico Tiago Almeida, que acompanha o caso pelo movimento Reconstruir o Sindimed, o debate vai além da disputa entre grupos. “Em um cenário de precarização crescente da profissão, o modo como o sindicato conduz suas escolhas afeta diretamente a confiança da base. É natural que, diante da falta de critérios públicos, os médicos questionem o processo”, avalia.
Fundado há 91 anos, o Sindimed é a entidade sindical que representa a categoria médica na Bahia. As recentes decisões judiciais envolvendo seu processo eleitoral trouxeram à tona discussões sobre os procedimentos internos da instituição. Embora o julgamento final ainda não tenha ocorrido, o volume de intervenções da Justiça do Trabalho tem chamado atenção para a forma como a atual diretoria vem conduzindo o processo.



