Ao atacar radicalização política, Jerônimo diz que o cacau não é de esquerda nem de direita

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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou a polarização política no debate sobre o preço do cacau e cravou que temas centrais da sociedade não podem ser tratados sob a lógica de esquerda ou direita. As declarações do gestor aconteceram em entrevista à Rádio Metrópole, nesta quinta-feira (5). Na ocasião, o gestor comentou sobre a instabilidade enfrentada pelos produtores e ressaltou que o valor do cacau não é definido por governos, mas pelo mercado internacional.

A arroba do fruto, que já chegou a custar R$ 1 mil, atualmente é cotado abaixo de R$ 260. Além de reivindicar medidas protetivas, produtores reclamam da importação descontrolada depois de uma normativa ser estabelecida em 2021, no governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

Ontem (4) pela manhã o chefe do Palácio de Ondina se reuniu com produtores e setores do governo para instituir um comitê de crise para avaliar ações e também tratativas no governo federal.

“Todos nós sabemos que o preço do mercado (do cacau) não é o governador que estabelece. É na Bolsa de Valores. Se chama de commodities. É um produto que é negociado na Bolsa”, declarou.

Jerônimo ainda afirmou que se reuniu recentemente com produtores no município de Gandu, no sul do estado, e lamentou o nível de radicalização política presente no diálogo.

“Na semana passada eu fui em Gandu, recebi uma comissão. Olha pra você ver o extremo que chegamos na política. Fica parecendo que o cacau é da esquerda ou da direita”, acrescentou.

Durante a entrevista, o petista destacou que já iniciou o encontro ressaltando sua ligação pessoal com a cultura cacaueira, e reforçou que a discussão não pode ser contaminada por disputas ideológicas.

 “Eu comecei a reunião dizendo, gente, eu sou filho do cacau. Mas eu não posso compreender que a gente está numa mesa para discutir o preço do cacau que a gente vai querer saber de que partido você é. Ou se você é lulista, é bolsonarista, é esquerda”, continuou.

Para o gestor, os problemas estruturais do Brasil exigem diálogo e união.

“O tema que está à mesa nossa é o tema da fome, que não tem partido. O tema do desemprego, o tema da segurança, o tema da saúde, são temas que não exigem se é esquerda ou direita”, concluiu.

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