Em entrevista à Radio Baiana FM nesta quarta-feira (4), o presidente do PSD na Bahia, senador Otto Alencar rebateu a declaração do também senador pessedista Angelo Coronel, que disse que foi “rifado como lixo” da chapa majoritária governista. Segundo Otto, a decisão sobre a composição eleitoral foi tomada a partir da posição majoritária do grupo aliado, sem atribuir responsabilidade direta ao senador Jaques Wagner (PT).
“Pelo amor de Deus, eu não considero esse negócio do lixo. Ele foi um deputado brilhante, foi presidente da Assembleia, fez um ótimo trabalho lá, senador que se elegeu com o nosso campo em 2018. Ele tem que ser classificado como ele é, não como alguém pode taxar ou que foi descartado ou rifado. Não foi isso”, declarou.
O cacique da sigla no estado ressaltou que não procede a acusação de que o ex-governador Jaques Wagner teria sido o principal articulador da saída de Coronel da chapa. “Wagner também não tem essa culpa. A posição já lhe disse: eu atendi a maioria e quis, de alguma forma, conversar para encontrar uma outra saída com ele. Ele não aceitou, ele não quis”, acrescentou.
Ao ser indagado sobre qual seria essa “outra saída”, o dirigente partidário afirmou que tentou abrir diálogo, mas sem sucesso. “Eu queria negociar, queria conversar, queria encontrar uma saída. Não tem, inclusive, agora uma reunião do colegiado em que já, com a perda, que é substancial, ninguém vai pensar que não é porque é substancial”, continuou sem dar detalhes.
O senador aproveitou a ocasião para minimizar a possibilidade de Coronel levar consigo um número expressivo de prefeitos e lideranças municipais. “Eu não sei. E também, nesse caso, eu não vou fazer cotejo para saber quem vai e quem não vai. Eu não vou”, disse. Ao ser indagado se entraria em contato com prefeitos para medir apoio, foi taxativo: “Não vou ligar. Não faço isso”.
Otto também destacou que sua atuação política estará concentrada na defesa da aliança que sustenta a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu vou para uma campanha e vou defender aqueles que eu estou apoiando. Vou atrás daquele eleitor que me segue para a eleição do governador e do presidente da República”, continuou.
Otto assumiu a responsabilidade pela condução do processo interno e disse que a adesão à aliança governista foi ampla entre deputados e candidatos. “Na verdade, eu assumo como o culpado, pronto, porque eu acompanhei o que a maioria queria. Com exceção de um ou dois, iriam continuar na aliança. Eles foram no meu gabinete, eu nem chamei”, pontuou.
Embora exista este embate político, Otto Alencar fez questão de reconhecer o histórico e o peso institucional de Coronel. “Ele tem um mérito que ninguém pode desconhecer. As pessoas não chegam aos cargos de destaque como senador da República por acaso. São só 81 entre 220 milhões de brasileiros”, concluiu.


