Fotos: Otávio Santos / Secom PMS
Aos poucos, no ritmo natural de crescimento das mudas, a paisagem urbana de Salvador vem sendo redesenhada graças ao investimento contínuo da Prefeitura em rearborização. Hoje, em alguns pontos da capital baiana, já é possível notar os frutos do trabalho contínuo de plantio iniciado há 10 anos. Mais de 130 mil árvores foram plantadas neste período, além de 26 mil km² de Mata Atlântica preservada e de 1,5 mil praças arborizadas entregues em toda a cidade.
Um dos principais exemplos dessa transformação é a Avenida Reitor Miguel Calmon, no Vale do Canela, que recebeu, em 2017, 200 mudas de Pau-Ferro com 2,5 metros. Hoje, essas árvores já ultrapassam 10 metros, formando copas amplas que oferecem sombra e qualidade ambiental ao bairro. Outro exemplo é a região do Curralinho, na Boca do Rio, que também recebeu investimentos.
Esse esforço da Prefeitura consolidou Salvador como a segunda cidade com maior percentual de área verde entre as capitais brasileiras: são 26,2% do território cobertos por mais de 5,5 mil hectares de vegetação, segundo estudo do MapBiomas em 2024 – rede de pesquisadores que é especializada no tema.
As mudas são plantadas anualmente durante a Operação Chuva, entre março e junho, período estratégico que aproveita a estação mais chuvosa da cidade para favorecer o enraizamento dos espécimes. Os resultados, obviamente, não são imediatos: as mudas levam entre 5 a 10 anos para crescerem e se tornarem árvores grandes. As iniciativas são conduzidas pela Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis).
O titular da Secis, Ivan Euler, explica que as árvores plantadas nessa região são as mesmas utilizadas em outros pontos da cidade, atendendo os requisitos exigidos na legislação municipal que determina plantio de árvores com no máximo 2,5 metros. “Salvador colhe, hoje, os frutos de um trabalho contínuo de arborização urbana iniciado há quase uma década. As mudas plantadas em 2016 e 2017, que à época exigiam cuidado, paciência e proteção, transformaram-se em árvores adultas que já oferecem sombra, conforto térmico, melhoria da paisagem urbana e mais qualidade de vida para a população”, afirmou.
Moradora do Vale do Canela há mais de 50 anos, a representante comercial Ana Ruth Messias, 56 anos, relembra que há uma década o local não possuía a praça reformada e arborizada, nem o espaço reservado aos pets. “Isso aqui ficou uma maravilha. Não abro mão da minha caminhada no final da tarde. Desço com meu cachorrinho diariamente e vejo o movimento de pessoas. Tem sempre idosos e crianças brincando”, descreveu ela, lembrando que as árvores também contribuem para um ar mais puro. “O trânsito de veículos aqui é muito grande e precisa do verde para fazer a troca de gás carbônico por oxigênio”.
Dono do Bar ‘Vou no Léo’, localizado no Vale do Canela, o comerciante Leonardo Cerqueira, 52 anos, afirma que o movimento de pessoas no canteiro e na praça costuma ser grande, tanto no comecinho da manhã como no final da tarde. “As pessoas fazem atividade física, jogam futebol, levam seus cachorrinhos para correr na praça, além das crianças que sempre estão ali presentes brincando na sombra. Com certeza, é um lugar gostoso para desfrutar”, considera.
O secretário destaca que esse resultado é a prova concreta de que políticas públicas ambientais exigem visão de longo prazo. “Árvores não crescem da noite para o dia. Elas precisam de tempo, manejo adequado e do apoio da sociedade para cumprir plenamente seu papel ecológico e social”, salientou.
“Da mesma forma, as mudas que estão sendo plantadas agora seguem esse mesmo ciclo natural. Podem parecer pequenas hoje, mas, com o devido cuidado, se tornarão árvores que beneficiarão as próximas gerações, ajudando a enfrentar o calor extremo, melhorar a qualidade do ar e tornar a cidade mais resiliente às mudanças climáticas”, acrescentou.
Políticas contínuas – A estruturação e ampliação das políticas voltadas para a arborização teve início em 2016. Desde então, o plantio de espécies nativas e a integração do verde às obras urbanas tornaram-se diretrizes centrais. Um dos exemplos mais recentes é o plantio de 180 quaresmeiras na Avenida Dendezeiros, que em breve vai proporcionar sombreamento completo no caminho que liga o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Colina Sagrada.
Além da Operação Chuva e do Plano Diretor de Arborização, Salvador passou a contar, em 2025, com o projeto Corredor Verde — considerado uma das maiores iniciativas de arborização em grandes vias da história da cidade. A primeira etapa, na Avenida Manoel Dias, já implantou cerca de 100 árvores adultas e prevê expansão para avenidas como Silveira Martins, Dom João VI, Jequitaia e Juracy Magalhães até 2028.
“A proposta marcou um movimento inicial na capital para verde urbano em grandes vias, buscando reduzir a aridez das avenidas e melhorar a qualidade de vida dos moradores”, afirma Euler.
O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, faz questão de pontuar o reflexo de plantios feitos há anos atrás. “Hoje a gente já consegue visualizar trechos da cidade mais arborizados, resultado de processos de anos passados. Temos grandes bolsões verdes e isso é muito gratificante. É um processo a médio prazo, observado principalmente nas avenidas de vale. Cenário fundamental para melhoria do microclima urbano, presença da fauna e um composto de fatores que beneficia a cidade em si e o cidadão no geral”, assinala Resch.
Ivan Euler reforça que cada plantio realizado é um investimento no futuro da cidade. “Proteger as mudas, respeitar seu crescimento e compreender o tempo da natureza são atitudes fundamentais para que Salvador continue avançando na construção de uma cidade mais verde, saudável e preparada para os desafios ambientais”, frisou.



