Em podcast, petista afirma que governo da Bahia não tem “uma banda de conto” no banco, diz acreditar que “muitos” políticos locais têm, e brinca ao ser pressionado: “Você tá querendo me apertar? Eu não tenho nome não”
O senador Jaques Wagner (PT-BA) negou veementemente qualquer relação pessoal ou do governo baiano com o Banco Master, alvo de uma megaoperação da Polícia Federal que investiga um rombo de dezenas de bilhões de reais. Em entrevista ao Podcast do BNews, Wagner foi questionado sobre a possibilidade de o dono do banco, José Vitor Vorcaro, incluí-lo em uma eventual delação premiada, e reagiu com ironia e negações categóricas: “se ele delatar eu acho ótimo, tou aqui tranquilo”.
“Aqui eu tô fora dessa confusão”, afirmou o senador logo no início. Ele desafiou os questionadores a verificarem se há recursos públicos do estado aplicados no banco, em contraste com outros entes federativos. “Pergunta se tem algum dinheiro do governo da Bahia aplicado no Banco Master, como tem do Rio de Janeiro, do Amapá, de Brasília. Não tem uma banda de conto nosso”, disse Wagner, usando gíria para “não tem um centavo”.
“Muitos Políticos” Envolvidos e Brincadeira Sob Pressão
No entanto, o petista disse acreditar que outros políticos baianos sim, estão envolvidos. “Só acredita que tem outros políticos e deve ter pra cacete. Muitos daqui. Muitos. Muitos”, afirmou, sem citar nomes. Sobre a possibilidade de ser delatado por Vorcaro, Wagner minimizou: “Acho que olha eu tô aqui ó tranquilo e calmo”.
O tom do senador, porém, ficou mais evasivo e jocoso quando pressionado a dar mais detalhes sobre os eventuais nomes. “Ah você tá querendo me apertar? Eu não tenho nome não não não não não não não não não não não não não não não não”, respondeu, em uma sequência rápida de negativas. Ele justificou não poder falar: “Já tem tanta gente, é over clean por um lado, é banco mágico por outro. É uma confusão”.
Contexto da Crise do Banco Master
A fala de Jaques Wagner ocorre em meio à crescente tensão política gerada pela Operação Banco de Areia, da PF, que aponta um esquema bilionário de venda de títulos falsos em conluio com o BRB (Banco de Brasília). O senador tentou separar sua atuação política do escândalo, lembrando que negociou com Vorcaro apenas a venda da rede de supermercados Cesta do Povo para o governo estadual, em 2020, operação que já foi auditada e, segundo ele, “não tem nada a ver com a trambicagem” atual.
A declaração busca isentar o petista e o governo baiano do escândalo, mas a menção a “muitos políticos daqui” envolvidos promete alimentar especulações e aumentar a pressão por investigações no estado, em um ano eleitoral sensível.



