O deputado estadual Robinson Almeida (PT) voltou criticar e a cobrar explicações da Prefeitura de Salvador, nesta sexta-feira (9), sobre contratos bilionários, venda de áreas públicas e relações comerciais envolvendo familiares e aliados políticos do ex-prefeito e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto. Para o parlamentar, o conjunto de negócios, que, somados, ultrapassam a marca dos R$ 3 bilhões, revela um “sistema de privilégios” que começou em 2013 e levanta dúvidas éticas sobre a separação entre interesse público e interesses privados e familiares na administração da capital baiana. Na avaliação do parlamentar, o conjunto dessas decisões revela um padrão de uso do orçamento público que favorece elites familiares associadas ao ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).
Entre os casos citados está o contrato de cerca de R$ 31 milhões firmado pela prefeitura com a agência Bença Comunicação e Marketing pertencente a um primo de ACM Neto. Além dela, a publicidade da administração municipal, ainda quando esteve à frente da prefeitura, também tem outra empresa com vínculo familiar com o ex-prefeito: a Bahia Comunicação, pertencente ao empresário Paulo Vianna, tio de ACM Neto. A gestão do lixo em Salvador, em 2024, foi firmada com contrato de R$ 1,3 bilhões. Entre as empresas beneficiadas está a MM, de José Marcos de Moura, o Rei do Lixo, amigo de ACM Neto e alvo de operação da Polícia Federal ano passado, além da Naturalle, que tem como sócio Vitor Souto, filho do ex-governador da Bahia Paulo Souto (UB).
“Não são fatos isolados. É uma prática recorrente de concentração de recursos públicos nas mãos de familiares e aliados do grupo ligado ao ex-prefeito. É uma prática que confunde o público com o privado mas que, dentre os objetivos, está a perpetuação no poder”, avaliou.
O deputado também apontou a existência de outros contratos e relações comerciais envolvendo parentes do ex-prefeito e empresas ligadas a aliados históricos do carlismo, incluindo áreas como publicidade, consultoria e construção civil.
“Uma construtora, a BSM, que pertence a um amigo de infância do ex-prefeito, segundo a imprensa, faturou ao menos 270 milhões na sua gestão. Mas ela não é a única. Tem outras também beneficiadas nas gestões do União Brasil, o que revela uma completa imoralidade e ausência de compromisso com o orçamento público”, observa.
Além disso, o petista também menciona a venda de terrenos e imóveis públicos a empresários próximos ao grupo político que comanda a prefeitura da capital há 13 anos. “Muita coisa errada”, frisa.
Para Robinson Almeida, a recorrência desse tipo de contratação e de negociação com bens públicos não pode ser tratada como episódios administrativos isolados. Na avaliação do parlamentar, trata-se de um padrão histórico de exercício do poder em Salvador, no qual o controle do orçamento e do patrimônio público funciona como mecanismo de organização política, fidelização de aliados e reprodução de grupos familiares no comando da cidade.
“Esse é o funcionamento clássico das oligarquias: o controle do orçamento público como instrumento de manutenção de poder e reprodução de elites familiares”, enfatizou.



