De olho na reeleição, Lula prepara ampla mudança no ministério e evita paralisia no governo

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para uma ampla reformulação ministerial a partir de abril, quando ministros que pretendem disputar as eleições de 2026 precisarão se desincompatibilizar dos cargos. A estratégia definida no Palácio do Planalto é promover, majoritariamente, os atuais secretários-executivos — os chamados “números dois” das pastas — para evitar descontinuidade administrativa e manter o ritmo de obras e projetos em andamento.

A expectativa é de que quase metade da Esplanada dos Ministérios passe por mudanças. Internamente, o Planalto trabalha com a possibilidade de até 22 ministros deixarem seus postos nos próximos meses. A avaliação do presidente é que uma troca excessivamente política poderia provocar paralisia em áreas estratégicas, justamente em um momento em que Lula busca elevar sua popularidade para disputar a reeleição.

Entre os primeiros nomes a deixar o governo estão os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça). Haddad já conversou com o presidente sobre sua saída e indicou que pode deixar o cargo ainda em fevereiro. Embora não pretenda disputar eleições, ele deve colaborar com a campanha de reeleição de Lula. O presidente, por sua vez, já manifestou publicamente o desejo de vê-lo candidato em São Paulo, ideia defendida por setores do PT.

No Ministério da Fazenda, Haddad articula para que o comando fique com o atual secretário-executivo, Dario Durigan, garantindo a continuidade da política econômica. Já Lewandowski comunicou a Lula, em conversa no dia 23 de dezembro, que considera sua missão cumprida e deseja uma rotina mais tranquila junto à família. A sucessão no Ministério da Justiça, por enquanto, segue indefinida.

Outro movimento relevante envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Caso dispute uma eleição em São Paulo ou volte a compor a chapa presidencial de Lula, ele terá de deixar a pasta. O nome mais cotado para assumir é o do secretário-executivo Márcio Elias Rosa, ex-procurador-geral do Ministério Público de São Paulo.

As mudanças também devem atingir ministérios instalados dentro do próprio Palácio do Planalto. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, deve deixar o cargo em abril para disputar o Senado pela Bahia. A tendência é que a função seja assumida pela secretária-executiva Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff.

Na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), a ministra Gleisi Hoffmann deve tentar novo mandato pelo Paraná. O substituto ainda não foi definido, mas uma das hipóteses é a promoção do secretário-executivo, o diplomata Marcelo Costa.

Há ainda a possibilidade de saída do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, caso ele assuma a coordenação do marketing da campanha de reeleição de Lula.

Fora do núcleo palaciano, a lista de possíveis desligamentos é extensa. Estão entre os nomes citados: Marina Silva (Meio Ambiente), Simone Tebet (Planejamento), Jader Filho (Cidades), Waldez Goés (Integração Nacional), Renan Filho (Transportes), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Wolney Queiroz (Previdência), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), André Fufuca (Esporte), André de Paula (Pesca), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Anielle Franco (Igualdade Racial).

Desses, Renan Filho, do MDB, é o único apontado como candidato a governador. Ele pretende disputar novamente o comando de Alagoas, estado que governou entre 2015 e 2022. Outros ministros são citados como potenciais candidatos ao Senado, enquanto parte do grupo planeja disputar vagas na Câmara dos Deputados.

Dois casos são considerados mais sensíveis e dependem diretamente das decisões do presidente: Marina Silva e Simone Tebet. Marina avalia a possibilidade de disputar o Senado por São Paulo. Caso a estratégia não avance, ela pode tentar renovar o mandato de deputada federal, o que pode exigir uma mudança de partido diante das disputas internas na Rede Sustentabilidade. O nome mais cotado para substituí-la no Meio Ambiente é o do secretário-executivo João Paulo Capobianco.

Já Simone Tebet estuda concorrer ao Senado pelo Mato Grosso do Sul ou por São Paulo. A decisão deve ser tomada no primeiro semestre. Nos bastidores, a expectativa é que o secretário-executivo Gustavo Guimarães assuma o comando do Ministério do Planejamento.

A opção por promover secretários-executivos é ainda mais forte nas áreas de infraestrutura, consideradas sensíveis por conta de cronogramas e contratos. Em Transportes, o nome citado como provável sucessor é o de George Santoro, ex-secretário da Fazenda de Alagoas. Em Portos e Aeroportos, a tendência é a promoção de Tomé Franca.

Além do grupo principal, também são mencionadas possíveis saídas dos ministros Márcio França (Empreendedorismo e Pequena Empresa), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Camilo Santana (Educação). Camilo, inclusive, é visto como um nome competitivo para disputar o governo do Ceará diante da possível candidatura de Ciro Gomes.

A reforma ministerial planejada por Lula combina cálculo eleitoral com preocupação administrativa. Ao apostar em quadros técnicos já inseridos na máquina pública, o Planalto busca reduzir ruídos, manter entregas e evitar um vácuo de gestão em um período decisivo do mandato.

Ao mesmo tempo, o movimento abre espaço para rearranjos partidários e disputas regionais que devem marcar o início de 2026, com o governo já operando sob forte lógica de campanha.

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