O vereador Hamilton Assis (PSOL) criticou os altos valores pagos pela Prefeitura de Salvador a artistas contratados para o Festival da Virada 2026 e apontou um descompasso entre esses gastos e os recursos destinados às políticas públicas de combate à discriminação e promoção dos direitos humanos na capital baiana.
De acordo com informações publicadas no Diário Oficial do Município, os cachês pagos a apenas 20 atrações do evento somam R$ 11,69 milhões. Para o parlamentar, o montante é desproporcional quando comparado ao orçamento da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), responsável por políticas de enfrentamento ao racismo, à LGBTfobia e à intolerância religiosa.
“É inaceitável que o valor gasto com poucos dias de festa seja quase equivalente ao orçamento anual de uma secretaria inteira dedicada ao enfrentamento das desigualdades históricas da cidade”, afirmou Hamilton Assis. “Enquanto Salvador investe pesado em espetáculos efêmeros, as políticas de reparação ficam com recursos insuficientes para promover mudanças estruturais”, completou o vereador.
Entre os cachês divulgados, artistas como Jorge e Mateus, Ivete Sangalo e DJ Alok receberam cerca de R$ 1 milhão cada. Somados, os valores pagos às atrações correspondem a aproximadamente 86,5% de todo o orçamento anual da Semur, que, segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, é de R$ 13,5 milhões.
Do total previsto para a secretaria, apenas R$ 1,39 milhão é destinado especificamente a ações de combate à discriminação étnico-racial, à LGBTfobia e à intolerância religiosa. O valor gasto com os cachês do Festival da Virada é 8,4 vezes maior do que esse orçamento específico.
“Não se trata de atacar a cultura ou negar a importância do Festival da Virada, que tem relevância cultural e impacto econômico para a cidade”, ponderou o vereador.
Hamilton também chamou atenção para comparações que, segundo ele, evidenciam a desigualdade nas prioridades do governo municipal. “O cachê de um único artista chega a representar 72% de todo o orçamento anual destinado ao combate à discriminação. Isso diz muito sobre as escolhas feitas pela Prefeitura”, afirmou.
Para o parlamentar, o debate sobre o orçamento público precisa ir além da realização de grandes eventos e considerar investimentos estruturantes em direitos humanos. “A cultura é fundamental, mas não pode ser usada para mascarar ou perpetuar desigualdades. Salvador precisa de um modelo que equilibre a promoção cultural com políticas de reparação que atendam, de fato, a população mais vulnerável”, concluiu.
O vereador informou ainda que pretende levar o debate à Câmara Municipal e ampliá-lo junto à sociedade civil, defendendo uma reavaliação das prioridades orçamentárias da cidade.



