O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso na madrugada desta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai. A detenção ocorreu no momento em que ele tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Segundo as autoridades brasileiras, Silvinei rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava em Santa Catarina e deixou o Brasil sem autorização judicial, descumprindo medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O rompimento do equipamento acionou alertas automáticos, levando a PF a comunicar órgãos de fronteira e a adidância brasileira no Paraguai.
Durante a abordagem no aeroporto, agentes paraguaios constataram que o ex-dirigente da PRF portava um passaporte paraguaio válido, porém com informações incompatíveis com sua identidade real. Após a confirmação dos dados, Silvinei foi detido e encaminhado às autoridades locais.
Ele foi colocado à disposição do Ministério Público do Paraguai e deve ser expulso do país, com posterior entrega às autoridades brasileiras para o cumprimento das determinações judiciais. A expectativa é de que ele passe por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira antes da deportação.
Silvinei Vasques foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento em crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de organização criminosa. A decisão foi unânime e ocorreu no âmbito do julgamento do chamado Núcleo 2 da ação penal que apura a trama golpista após as eleições de 2022.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-diretor da PRF participou de ações para interferir no processo eleitoral, determinando a realização de blitzes em rodovias com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no segundo turno do pleito, realizado em 30 de outubro de 2022. A PGR também aponta que Silvinei esteve presente em reunião realizada em 19 de outubro daquele ano, quando teria sido discutido o uso da PRF para impedir a votação, ocasião em que teria afirmado que “havia chegado a hora de a PRF tomar lado na disputa”.
Preso preventivamente em agosto de 2023, Silvinei permaneceu detido por cerca de um ano, até obter liberdade provisória concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica e ao cancelamento do passaporte brasileiro, entre outras medidas.
A Polícia Federal informou que Silvinei deixou o país de forma irregular após romper o equipamento de monitoramento eletrônico. Procurada, a PF não comentou detalhes adicionais sobre o caso. A defesa do ex-diretor da PRF não foi localizada até a publicação desta reportagem.



