O movimento brusco feito pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), para convencer o presidente Lula a embarcar na chapa com tendo ele como candidato ao Senado Federal e o senador Otto Alencar (PSD) como governador, sacrificando à candidatura de Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia, aumentou o isolamento do governador no próprio partido e com membros do seu grupo político.
O movimento, como revelou o OFF News, foi à revelia do PT e do próprio Wagner.
“Essa proposta que está sendo apelidada como “Operação Tabajara” não partiu da direção do PT, do PSD, e o nosso expert nacional da política, o presidente Lula, não se entusiasmou nem um pouco com a ideia, mandou a turma voltar para casa. Isso foi ideia do governador que quer ser senador. Como só há três lugares e há três partidos grandes para acomodar, não tem como uma partido ter duas vagas”, explicou uma fonte sob anonimato ao OFF News.
Segundo a mesma fonte, o movimento natimorto de Rui Costa não foi abraçado nem pelo PSD, que tem foco na ampliação do parlamento em 2022: “Não é parte da estratégia nacional nem de Lula e nem de Kassab. A estratégia é única e exclusivamente de Rui. A estratégia do PSD é de montar o partido para criar uma grande bancada, e para isso estão atraindo deputados de outros partidos, querem fazer mais de 50 parlamentares e estão usando o discurso de que eles terão candidato próprio, que não irão apoiam nem Lula e nem Bolsonaro, para isso. Eles tem Pacheco e abriram conversa com Eduardo Leite”, sinalizou a fonte.
Encontro
Em meio ao mal estar criado, foi realizado um encontro com Lula, na última terça-feira (15), em São Paulo, para tratar das eleições na Bahia e os prováveis caminhos. Segundo apurou o OFF News, a reunião segue hoje com o ex-presidente e caciques de partido aliados.
Ao término da reunião, sinalizando qual foi a tônica do encontro, o senador Jaques Wagner (PT) fez uma postagem deixando claro que há apenas dois candidatos ao Senado, em uma mensagem que está sendo interpretada por aliados como uma indireta a Rui Costa:
Adesão
O movimento do governador da Bahia serviu de pavio para reascender o sentimento de adesão ao nome de Jaques Wagner entre os quadros do partido e de partidos aliados.
Nas últimas horas, diversos parlamentares da sigla usaram suas redes sociais para reafirmar que o candidato do grupo é o senador do PT:


Parlamentares aliados também fizeram manifestações públicas em defesa da candidatura de Jaques Wagner:

Cenário apocalíptico
Uma outra fonte, que também pediu reserva acerca da sua identificação, avalia que o movimento do governador Rui Costa, além de precipitado, caso fosse lavado a cabo não garantiria nem sua própria eleição.
“Não se ganha eleição apenas com avaliação positiva. Rui tem seus méritos, é um perfil diferente de Wagner, mas é um grande gestor. Se ele se coloca como candidato em meio à crise de grandes proporções que iria criar – a insatisfação ontem não foi só de parlamentares do PT, Lídice manifestou publicamente sua insatisfação, os parlamentares do PCdoB ficaram insatisfeitos -, a militância sindical, do partidos, ninguém compraria essa ‘Operação Tabajara’. Vamos supor em um cenário apocalíptico que isso acontecesse, a militância não vai pegar essa bandeira com gás. A turma do PSD e PP, sem tirar os méritos, nunca foram de se jogar em campanha de governador e senador, eles fazem a campanha deles e vão na franja sinalizando. A mosca azul iria gerar uma candidatura profissionalizada e burocrática, em uma disputa que não seria simples e fácil”, sinalizou a fonte ligada ao mundo político.
Outro aspecto afetado na composição proposta por Rui Costa seria o chamado “fator Lula”, que é a capacidade de transferência de votos do ex-presidente e atual candidato no acirrar das eleições.
O fator Lula é a principal preocupação de ACM Neto (União Brasil) e de João Roma (Republicanos), virtuais adversários do grupo.
“Eu admiro muito Otto, sempre foi muito correto e leal com nosso projeto. No Senado ele tem tido uma atuação destacada – o que inclusive o gabarita para uma reeleição -, mas em uma eleição como essa que iremos ter ninguém tem dúvida que o nome com maior condição eleitoral, por sua trajetória, capacidade de articulação, é o de Wagner. O próprio Otto não está nem um pouco entusiasmado com a proposta da Operação Tabajara, ele não vai deixar de ser reeleito com as mãos nas costas para ir para uma eleição onde terá muita dificuldade ser eleito governador. E tem mais, é mais fácil Wagner colar na candidatura de Lula, com o 13, do que a de Otto colar”, opinou a fonte.
Segundo o articulador político, Rui é bem cotado para ser ministro de Lula e só o medo de uma não eleição do ex-presidente poderia fazê-lo lançar-se ao Senado na busca, “na cabeça dele”, de garantir alguma coisa mais certa: “Ser ministro de Lula é uma honra. Não podemos desconhecer os méritos de Rui Costa, é um dos nomes mais fortes para ocupar um ministério, pelo currículo e pela trajetória, isso ninguém desconhece. Agora, se ele pensar que é uma eleição incerta para Lula, com todo o cenário, as pesquisas e todo o processo crescente de apoio; vai imaginar que é seguro a eleição dele para o Senado? Em meio à crise desta natureza que ele vai criar?”.
A fonte afirma que além de Rui Costa, só a Oposição gostou do plano proposto na Operação Tabajara: “Ontem quem gostou da Operação Tabajara foi a turma do Oposição. Pelo cenário aí, quem entende um pouco de política, se isso prosperasse, ACM Neto seria eleito governador e ainda faria o senador. A eleição é de cima para baixo, um processo indução, não podemos esquecer que na primeira eleição de Wagner ele conseguiu eleger João Durval. A tendência é que a força eleitoral do presidente empurre o conjunto da chapa”.



