Após a morte de mais um jornalista por complicações provocada pela Covid-19, o radialista e jornalista Jean Rego, 47 anos, o presidente do Sinjorba (Sindicato dos Jornalista da Bahia), Moacy Neves, cobrou que tenha início o processo de imunização contra Covid-19 para jornalistas na Bahia.
“A gente espera que a prefeitura de Salvador e demais prefeituras encaminhe o cumprimento da decisão da CIB (Comissão Intergestores Bipartite), porque é impossível que uma decisão que seja aprovada de forma consensual por todos os secretários não tenha considerado os critérios técnicos, números reais para serem tomada. Esperamos que se faça a vacinação dos jornalistas, porque não existe nenhuma proibição por parte da justiça quanto a essa questão”, reforçou Moacir.
Na última quarta-feira o Ministério Público da Bahia e o Ministério Público Federal emitiram recomendações para que municípios baianos não realizem a imunização dos jornalistas, até que a CIB explique os motivos para tal decisão, que segundo ele, inclui no grupo prioritário, uma categoria que está fora das estabelecidas no PNI (Plano Nacional de Imunização).
“O MP está no papel dele de gerar pela lisura dos processos que envolvem o poder público. Por isso pedimos uma reunião, fomos e apresentamos os dados; lamentavelmente o procurador federal não estava na reunião para ouvir os argumentos que apresentamos, para que analise o que foi apresentado aos secretários de saúde, que são os mesmo argumento que apresentamos aos procuradores do MP na reunião da última quinta(20)” afirmou o presidente do Sinjorba.
Neves disse que respeita os atos do MP, mas cobra que seja avaliado os documentos e os dados apresentados pelo sindicato. Sobre à alegação de que o ato viola lista do PNI, o presidente do Sinjorba disse que pediu para o MP questionar o plano pelos buracos encontrados e pela contradição.
“Respeitamos o MP e achamos que ele tem que avaliar, analisar os documentos. Pedimos que o MP questione O Plano Nacional de Imunização, porque é falho, cheio de buracos. Ele não considerou as categorias que o próprio governo federal definiu como essencial, e o plano não incluiu. Esse plano tem contradição com decisões anteriores do governo federal, se fomos essenciais para trabalhar, queremos ser para vacinar também. Para nós, jornalistas, não interessa essencialidade para morrer”, destacou Moacy Neves.
Leia nota do Sinjorba pela perda de Jean Rego
Enquanto os jornalistas e radialistas da Bahia aguardam o início da vacinação dos profissionais que informam a população em meio à maior crise sanitária da História, um colega morre por dia no Brasil. Hoje foi a vez de nos despedirmos de Jean Rego, 47 anos, que estava internado lutando contra a Covid-19 e não resistiu. Ele deixa mulher e filho, além de muitos amigos que admiravam sua competência e criatividade na Rádio Juazeiro, seu segundo lar.
Internado já há uma semana, ele foi transferido para a UTI e intubado num hospital da região. A morte de Jean, radialista e jornalista, poderia ter sido evitada. Durante a pandemia ele manteve a programação diária, na missão de manter as pessoas bem informadas – o que é essencial para combater um inimigo desconhecido, como esse vírus.
Ontem (quinta, 20), a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) publicou no Diário Oficial da Bahia a decisão tomada na reunião de terça-feira (18) que inclui jornalistas de redação e assessorias, radialistas, fotojornalistas, cinegrafistas, radialistas e profissionais de blogs e portais informativos entre os grupos prioritários para a imunização.
Na quarta (18), os Ministérios Públicos Estadual e Federal oficiaram a CIB, recomendando que não aprovasse e as secretarias de saúde não executassem vacinação de grupos não previstos no PNO, alegando uma possível violação ao princípio de equidade. Isso gerou insegurança jurídica entre os gestores municipais, atrasando o início da imunização da categoria, considerada essencial na pandemia pelo decreto 10.288/2020, publicado em março do ano passado.
Um levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas, revelou que a Covid-19 mata um jornalista por dia no Brasil. Esse número assustador de vidas perdidas de quem está na linha de frente levando informação de qualidade para a população na maior crise sanitária da História embasa o pedido, acatado esta semana pelas autoridades sanitárias da Bahia, de priorizar a vacinação de quem trabalha na imprensa.
Outro estudo publicado este mês pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), “Boletim Emprego em Pauta”, também reforça o risco que jornalistas têm vivido para informar a população. Baseada nos dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), houve um crescimento de 124,5% nos desligamentos por morte entre profissionais no setor de Informação e Comunicação: foram 194 desligamentos no primeiro trimestre de 2020, número que saltou para 435 no mesmo período deste ano. A proporção só fica atrás da área médica e de eletricidade e gás. Os dados coincidem com o arrefecimento da pandemia, quando muitos jornalistas foram chamados a voltar ao presencial.
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