O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), apontou, em entrevista à rádio Sociedade na manhã desta segunda-feira (24), que tem acompanhado de perto os conflitos entre produtores rurais e indígenas no extremo sul do estado. Ele admitiu que por conta da tensão, não foi possível promover uma mesa de negociação entre indígena, ruralistas e quilombolas.
“A gente tem feito um esforço muito grande com concurso, criando companhias. Estamos equipando com armamentos, com viaturas, com construção de novas delegacias e pelotões. A inteligência da polícia está sendo reforçada constantemente, com investimentos altos. Não há ausência de força policial. Estamos lá, o coronel Paraíso, que coordena a região, tem feito isso com muito cuidado”, destacou o governador da Bahia.
“Se a gente promovesse naquele momento uma reunião conjunta, não dá para imaginar que aquilo iria pacificar ou criar uma agenda de resolutividade. As informações que chegam às vezes desgastam o agro, às vezes desgastam os indígenas. Ali não tem indígena promovendo tumulto, não é movimento sem terra. Há algo por trás, e a inteligência está estudando, porque o movimento não é pacífico”, afirmou.
Jerônimo reconheceu que há infiltrados, pessoas se passando por indígenas nas invasões. Ele ressaltou que a polícia segue atuando em todas as situações.
“Tem sim! Tem gente aproveitando a oportunidade de uma pauta séria, que é o território indígena. Eu nunca me furtei disso. Pelo contrário, assumi meu lugar de descendente indígena. Mas não vou aceitar que nenhum lado crie tumulto e manche a imagem da Bahia”, ressaltou o governador da Bahia.
“A Polícia Militar não pode entrar em território indígena, porque é área federal. Mas temos uma boa parceria com a Polícia Federal e a PRF. Criamos um grupo de trabalho para evitar crises não só no extremo sul, mas também na Chapada Diamantina e outras regiões. Não há fuga do Estado, estamos conversando com os prefeitos e acompanhando tudo de perto”, arrematou o gestor da Bahia.