Presente na abertura da Bienal do Livro da Bahia nesta quarta-feira (15), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), subiu o tom contra o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), ao falar sobre o impasse envolvendo a emissão do ‘Habite-se’ que teria impedido a entrega de um residencial do programa Minha Casa, Minha Vida.
Em entrevista à imprensa, o chefe do Executivo soteropolitano disse que há limites para disputas políticas e criticou a tentativa, de acordo com ele, de responsabilizar a prefeitura pelo atraso na entrega do conjunto habitacional.
“Eles não entregaram o empreendimento ‘Minha Casa, Minha Vida’ porque se atrasaram, não cumpriram a agenda. E aí penalizar a prefeitura, em especial o prefeito, isso é deslealdade. Sempre que houver isso eu vou reagir. Eles não entregam os documentos no tempo correto para começar as obras e nunca isso foi impeditivo”, declarou.
O gestor ainda aproveitou a ocasião para falar das obras de mobilidade na capital baiana. De acordo com ele, o projeto do VLT de Salvador teria avançado apenas com alvará e terraplanagem porque, segundo sua versão, o Governo da Bahia não apresentou toda a documentação necessária.
“[O metrô] até o Campo Grande, que eles foram iniciar no mesmo dia, também não tinha alvará para obra, porque eles não entregaram a documentação completa. É porque se atrasaram”, acrescentou.
Ainda durante a entrevista, o alcaide disse que a prefeitura teria sinalizado que a entrega do empreendimento habitacional poderia acontecer mesmo sem toda a documentação, para evitar prejuízos às famílias beneficiadas.
“O ‘Minha Casa, Minha Vida’, que eles não entregaram a documentação. A prefeitura disse que mesmo assim poderia ser entregue para não penalizar as pessoas, não mexer com os sonhos e expectativas das pessoas. A gente sabe a importância da casa própria para a pessoa. Aí diz que a culpa é da prefeitura, mas tem limite”, continuou.
Em seu discurso, Reis definiu a postura do governo estadual como “desleal” e destacou que considera a situação “inadmissível com a prefeitura”. “Eles não preenchiam os requisitos e as formalidades legais. Foi dito a eles que eles poderiam entregar a obra por se tratar de uma obra executada em parceria com o Governo do Estado e o Governo Federal. Então sempre foi dado aos empreendimentos, a projetos de Estado, prioridade máxima da prefeitura”, disse.
Para concluir, o gestor ainda afirmou que a cobrança pública sem fundamento estaria “fora do jogo das quatro linhas normais”” da disputa política. “Querer buscar justificativas para seu atraso transferindo responsabilidade para os outros… aí não dá. Isso está fora do jogo das quatro linhas normais que podem ter numa disputa eleitoral”, finalizou.



