Secretário de Segurança Pública afirma que nova legislação é “divisor de águas” no combate às facções, com foco na estrutura de lavagem de dinheiro e no endurecimento de penas para evitar reincidência.
SALVADOR – O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, classificou como um “divisor de águas” a aprovação da Lei Antifacção no Congresso Nacional, concluída nesta semana na Câmara dos Deputados. Durante a cerimônia de posse do procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, nesta sexta-feira (27), Werner destacou que a nova legislação ataca o “coração” das organizações criminosas ao mirar sua estrutura financeira.
“As facções são as grandes responsáveis pelas mortes violentas e, logicamente, pela estrutura de lavagem de dinheiro. Com a aprovação da lei antifacção, há sim uma evolução no aspecto da investigação, no combate à lavagem de capitais e no endurecimento das penas”, afirmou o secretário.
Combate à reincidência
Werner pontuou que a modernização do Código de Processo Penal e do Código Penal era necessária para que o trabalho das polícias não fosse anulado pela rápida soltura de lideranças criminosas. “É fundamental combater a reincidência criminal dos faccionados. A oxigenação e a modernização da legislação processual penal são essenciais nesse enfrentamento”, defendeu.
Asfixia financeira
As declarações de Werner ecoam o discurso do procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, que também destacou a asfixia financeira como a principal ferramenta para enfraquecer o poder bélico e a influência territorial das facções. Nos últimos dois anos, o Ministério Público e as forças de segurança conseguiram bloquear cerca de R$ 2,5 bilhões em recursos ligados ao crime organizado na Bahia.
A Lei Antifacção, agora em vigor, promete ampliar a capacidade de investigação e punição, atacando não apenas os executores, mas toda a cadeia logística e financeira que sustenta as organizações criminosas no estado.



