Presidente afirma, em Salvador, que enfraquecimento da ONU e ações dos EUA refletem cenário global crítico, onde “lei do mais forte” ameaça a cooperação internacional

SALVADOR, 23 de janeiro de 2026 – Em discurso durante o 14º Encontro Nacional do MST, realizado nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma crítica contundente ao que chamou de esvaziamento do sistema multilateral global, apontando diretamente a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula classificou o momento internacional como “muito crítico” e alertou que o multilateralismo e a própria Organização das Nações Unidas (ONU) estão em perigo.

O presidente afirmou que os princípios fundadores da ONU, como a igualdade soberana entre nações e a resolução pacífica de conflitos, estão sendo desrespeitados. Para ele, a prevalência do poder militar e econômico sobre o diálogo está comprometendo a cooperação internacional. Lula citou processos políticos recentes na América Latina e a própria eleição de Trump como reflexos dessa tendência global de enfraquecimento das instituições multilaterais.

Defesa de Reforma na ONU e Diálogo com Líderes
Em sua crítica, Lula defendeu a necessidade urgente de reformas na estrutura das Nações Unidas para dar mais voz aos países do Sul Global, uma pauta recorrente em sua atuação internacional. Ele mencionou que iniciativas da atual administração norte-americana, como a retirada dos EUA de diversos fóruns internacionais, refletem uma lógica que fragiliza a governança coletiva.

O presidente relatou ainda que tem buscado ativamente diálogo com outros líderes estrangeiros para construir uma resposta coletiva que fortaleça o multilateralismo e dissuada o uso da força como instrumento de política externa.

Alerta sobre a “Lei do Mais Forte”
Lula encerrou seu posicionamento com um alerta solene sobre os riscos da inação. Ele defendeu que a comunidade internacional não pode permitir que o sistema multilateral seja “jogado no chão”, sob o risco concreto de que a “lei do mais forte” prevaleça sobre o direito internacional e os mecanismos de cooperação estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial. A fala do presidente em um evento de massas em Salvador reforça a centralidade da política externa e da defesa da multipolaridade em seu discurso político para 2026.

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