Contra vontade dos poderosos e dos que querem chegar lá, Juca de Aleixo retorna, dessa vez com pena de galo e chapéu de palha, para trazer à luz o que os políticos da Bahia querem manter na escuridão.
O preço da confiança
Após a tragédia e com o sangue frio, já há nos corredores do poder análises sobre os motivos de uma eventual derrota do ex-Prefeito na eleição, apesar da sensação de vitória que conseguiu imprimir desde quando saiu da PMS. Na salada de fatores, o próprio temperamento do político é colocado como principal. Cego pela certeza da vitória, ele preparou o governo antes da hora e criou uma redoma de poder baseado em seu círculo de confiança que o blindou da realidade adversa que se aproximava e que alguns gostariam muito de ter tido a oportunidade de mostrar. A redoma também serviu como elemento de repulsa de nomes históricos e de quadros promissores da política, que enxergaram apenas como cumpridores de ordens. Diante do espaço de baixa recepção ao novo, muitos optaram por cuidar de si e deixar o’vitorioso’ obter sua ‘vitória’ garantida. Isso é um dos motivos pelo candidato ter perdido em alguns municípios com 90% de diferença em votos. O preço da confiança para alguns é muito caro.
Deu o óbvio
O discurso anti-nacionalização morreu no 1º turno das eleições na Bahia. Em que pese ser natimorto para todos que acompanha as eleições por anos a fio na Bahia, o discurso foi embalado e engordado pelo ex-Prefeito, que viu nele um pretexto para não ter que apoiar ninguém para presidente; Resultado: 49,5%. Pergunte a 80% dos que votaram no Professor em qual candidato para governador eles votaram. Você vai ouvir de Rui Costa a Lula… é o 13. Deu o óbvio.
Coordenação remoto
Em tempos de trabalho remoto, o coordenador político da campanha do ex-Prefeito, o Cacique de Feira, decidiu inovar criando a coordenação remoto. Enquanto tenta virar o resultado eleitoral a favor do candidato na Princesa do Sertão, onde viu aliados seus irem do Ex-Ministro e até com o Professor, ele diz que está coordenando por telefone a campanha em todo o estado. A turma da detração diz que é plenamente possível o ato, já que no 2º turno, ninguém liga para o candidato dele.
Sumiço
E parece que o Cacique de Feira anda enfurnado em Feira há mais tempo. Há quem diga que desde o 2º turno que ninguém vê o cabra mais em Salvador. Há quem diga que após o resultado em Feira, ao ser criticado, o Cacique respondeu à altura, apontando que o número é reflexo direto das escolhas do candidato. Isso ninguém foi capaz de refutar.
Nem a cozinha
E não é que nem a cozinha do político aceitou a coordenação política da campanha como calaboca para o Cacique de Feira. Sem a vice, nomes como Mário Borges, Paulo Aquino, Pablo Roberto e vários parlamentares municipais, pessoas que em 2018 estiveram de alma na campanha ao lado de Zé, neste ano desapareceram. Nem a cozinha embarcou.
Vai mudar?
Mais uma vez o deputado federal mais votado do PDT não foi o presidente do partido. Na última vez que isso aconteceu, Calígula até que tentou assumir o partido apelando ao pacto do mais votado. O fim é do conhecimento de todos, ele acabou perdendo a queda de braço e tendo que cair fora. Dessa vez o líder de votos é um menino dos olhos da cúpula do partido e nos corredores do partido o questionamento é um só: vai mudar?
Reeleito
Em se confirmando a vitória do Professor, o atual presidente da ALBA será reconduzido. Em que pese a boa votação da amiga do governador, o político que lá está, que também goza da amizade do chefe do executivo estadual, tem apoio suficiente tanto dos políticos aliados ao governo como de opositores para se manter no cargo. Por fora, mas bem por fora, corre o ex-prefeito e ex-comandante da UPB. A questão agora é se a moça irá ser demovida da ideia ao se irá para o bate-chapa para demarcar posição.
Na fila
A operação da PF contra a malversação dos recursos oriundos do Orçamento Secreto, nesta semana, que mirou operadores e figuras ligadas a nobres edis do Nordeste, deixou alguns parlamentares de cabelo em pé na Bahia. A avaliação é de que não é preciso uma análise acurada para saber que há certas empresas que são figuras recorrentes em contratos. Há também cidades que receberam recursos de mais para o porte e para realizações que lá se operaram pela companhia.
Filhos do OS
Na Bahia, quase 80% dos eleitos deputados federais manusearam de alguma forma recursos do Orçamento Secreto. Dos mais votados ao que entraram na rabeta, estão lá os recursos do querida RP-9 alocada via prefeitos ou de forma direta. Restaria aos filhos do Orçamento Secreto serem mais gratos com o pai, que tenta reeleição na presidência da República. O Centrão não tem mesmo coração, tem negócios.
Terra do Amigo
A demonstração de força histórica feita no carnaval do Amigo, na capital do estado, provou que o Lulismo não é apenas renitente, mas ainda opera no imaginário com plenos pulmões. Os próximos atos serão em Vitória da Conquista e Feira de Santana, locais onde os gestores não são tão bem avaliados assim e onde o ex-prefeito conseguiu se salvar. A chance da onda vermelha do 1° turno se tornar um tsunami no 2º, para alguns experimentados na política, já ultrapassa os 100%.
Minha Casa Minha Vida
Apesar da emblemática criação do programa de moradia pelo PT, os petistas nunca foram lá muito afeitos a morar nos espaços construídos por suas gestões para o povo; não, a turma gosta mesmo é de prédio com piso de mármore. Apesar de vez ou outra ficar com conversa mole criticando quem nasceu nele. Fato é que a transação da compra do AP pelo gestor maior do estado ganhou outros contornos depois das informações da Veja. Pagou em uma apartamento no coração da Graça o preço de um na Pituba. A condição vantajosa para aquisição lembrou a do Amigo lá no Guarujá. Dessa vez o elevador privativo já veio de fábrica. Uma coisa é fato, essa turma do Amigo sabe mesmo conseguir um bom negócio. O escárnio é que essa turma ainda quer justiça gratuita. É por isso que o crime de muitos ficam rodados no judiciário até serem prescritos.
A vitória do Bolso-Neto
A onda do Bolso-Neto tomou conta dos parlamentares aliados ao ex-prefeito no 2º turno. Da noite para o dia a turma passou a apoiar fervorosamente o Capitão, como um aceno aos eleitores do ex-Ministro no estado. Mas já há quem diga que além de uma forma de cooptar eleitores ao ex-Prefeito, o gesto é também em busca da sobrevivência, principalmente entre os federais, que sabem que como a chance de lá é maior do que cá, a reeleição do Capitão iria compensar uma eventual frustração de seguir por mais quatro anos como oposição aqui no estado.
Negacionismo
E não é que um pastor durante o evento da cristandade com o ex-Prefeito teve a cara de pau de questionar o resultado do 1º turno… O cabra não deve ter visto os números. Neste caso, pelo percentual, se tem alguém que pode reclamar do resultado é o Professor. O negacionismo vai sempre contra os fatos.
Erro de análise
O ex-Prefeito acreditou que a pandemia serviria de patíbulo para o Capitão. A história e as urnas mostraram que o fato se tratou de um erro de análise. Há quem diga que um acordo tácito poderia ter evitado uma candidatura de mesmo campo na Bahia, o que tenderia a fortalecê-lo diante de um candidato inexperiente, ampliando sua base eleitoral e permitindo ainda assim manter o aceno aos eleitores contrários ao presidente. A possibilidade poderia fazer do candidato do União Brasil a surpresa da eleição, como ocorreu no estado vizinho, em Minas Gerais, com Zema, que não só se elegeu, como se reelegeu impondo derrota ao candidato de Lula.
O milhão contra o tostão
A fala do Médico de Ruy Barbosa nesta semana deixou claro que o embate com o ex-Prefeito se tornou uma questão de honra para os caciques do outro lado. Eles resolveram deixar os traumas da formação da chapa de lado para trabalharem unidos em prol de impor derrota ao candidato do União Brasil, muito por força do desdém com que ele tratava o outro lado. Na política, como no xadrez, quem está há mais tempo no tabuleiro dita as regras. Não há garoto prodígio que vença velhos experimentados no tabuleiro.
Só depois da eleição
O povo baiano poderia definir o momento de 2º turno das eleições como o período de férias remuneradas para os nobres deputados e vereadores. É impressionante que não haja nada para votar em 30 dias. Se for comparar com o período de campanha, é capaz de ultrapassar dois meses. É um escárnio sem tamanho. Já há notícia de quem tem parlamentar em ‘férias’ no exterior. Os nobres parlamentares poderia colocar um cláusula de desempenho no parlamento, para só receber pelo que produzir. Esse projeto terá adesão de 100% da população baiana.
Os padrinhos
Chama atenção o número grande de prefeitos que viraram do ex-Prefeito para o Professor que são ligados a dois deputados do PP. Um estadual e outro federal. Com a grande movimentação já pairam dúvidas sobre o trabalho dos nobres edis para evitar tal trânsito. O que se fala é que um grande volume como esse só poderia migrar com o aval do parlamentar. É a eleição dos infiéis.
Apoio de boca
Fala-se que neste 2º turno o chamado “apoio de boca” será determinante para o resultado das urnas. Tem gente que migrou, mas por questões contratuais, acabou ficando ‘de boca’ ao lado do candidato. A frente de votos vai mostrar quem são os apoiadores de boca. Quem viver, verá.
De novo
Pela 1º vez na história um candidato é punido em 2º turnos por divulgar mais o seu padrinho do que aparecer a si em sua propaganda. O fato trágico-cômico revela o estado de em que se encontra a política na Bahia. O desconhecimento não pode ser alegado como motivo, já que nem em 2006 e nem em 2014 isso aconteceu. Aí já não pode ser mais tratada como uma nacionalização da candidatura, aí é colocar o candidato a presidente como o candidato a governador; tá aí outro fato único na história…
Melhor parar
Após rumores de que Calígula estava na ALBA buscando costurar uma vaga em um tribunal de conta, já tem gente que aponta que o momento é mesmo de parar. Tirar o time de campo e depois, se for o caso, retorno com mais força. Já se fala que o pupilo e ele estão em rota de colisão, o que já passa a ser um problema familiar. É, tem escolhas na vida que cobram mesmo um alto preço, isso ninguém pode negar.
Quem são:
Cacique de Feira: Zé Ronaldo
Ex-Prefeito: ACM Neto
Professor: Jerônimo Rodrigues
Capitão: Jair Bolsonaro
Amigo: Lula
Ex-Ministro: João Roma
Calígula: Marcelo Nilo