O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (UB), concedeu uma entrevista coletiva para imprensa durante participação no congresso do partido Cidadania, neste sábado (5), em Salvador.
Na conversa, o secretário-geral do União Brasil tratou sobre os movimentos na chapa do governo após o senador Jaques Wagner retirar sua candidatura, ela falou sobre a tese de acordo nas sombras com o ex-presidente Lula. Neto também tratou de sua candidatura e das críticas do seu ex-chefe de gabinete, João Roma, que é seu virtual adversário na disputa ao governo da Bahia.
“1º que essa coisa de não dar pitaco em time adversário não é de hoje, eu sempre disse isso, é algo que eu sempre tive como convicção, e se essa é minha convicção, não é agora que eu vou mudar. A primeira coisa, a segunda coisa é que você jamais vão me ver subestimar ninguém, ao contrário, eu tenho procurado organizar meu time, arrumar os nossos partidos. Boa parte do meu tempo hoje está sendo dedicado a fomentar pré-candidaturas a deputado federal e estadual, para ajudar a organizar os partidos e vou continuar com a minha preocupação e toda minha atenção voltada para o que me compete. Então, nós temos aí o prazo até o dia 2 de Abril, que é um prazo onde muitas decisões vão acontecer, eu não posso me desconcentrar com o que tá acontecendo ou não no outro time; porque eu não tenho interesse em participar disso, segundo porque não tenho a possibilidade, é da vida deles, são eles que vão resolver. Agora, que fique claro que na minha compreensão, qualquer que seja o nome escolhido, será uma eleição muito dura, disputada, uma eleição que eu tenho consciência de que vou enfrentar um grupo que está há 16 anos no poder, que tem portanto uma máquina governamental consigo, então eu não subestimarei nenhum nome que seja escolhido lá, vou respeitar e pretendo manter o mesmo nível de debate que já planejei fazer para eleição de 2022”.
Questionado se já há uma data limite para montagem e divulgação da chapa, o pré-candidato do União Brasil disse trabalhar com a data de dois de abril, mas ressaltou há não há martelo batido para que seja na data que marca o término da janela partidária:
“Não, ainda não. Primeiro que assim, não há hipótese de eu anunciar minha chapa antes de ver efetivamente o que é que eles vão fazer lá; porque não cabe a mim indiretamente ajudar ou facilitar uma solução para o lado de lá, isso é uma coisa lógica na política e não tem porque não dizer. Quem tem que ter mais pressa são eles, no meu caso aqui o meu desafio é o de ter um excesso de nomes que querem integrar minha chapa com possíveis candidatos ao Senado e a vice. Não tenho prazo, repito, o meu foco agora é organizado a chapa proporcional e se puder anunciar os nomes até 2 de Abril, ótimo [de Senado e vice]! Se não puder também vamos continuar as articulações. É interessante e também é bom lembrar isso, as chapas, em tese, elas só têm que ser definidas em agosto, nas convenções. É que as novas regras, Inclusive essa regra de não poder coligar, elas de alguma forma anteciparam as coisas… e também é isso, são definições que precisam ser tomadas para quem tem cargo e precisa se descompatibilizar até o dia dois [abril]. Então, pode ser que a gente tome [decisão sobre composição da chapa] até o dia dois, o meu desejo inclusive é o de ter até o dia dois a chapa definida, mas também se não acontecer ninguém vai morrer por isso”.
Questionados sobre se as mudanças no grupo do governo afetam de alguma forma às articualações partidárias em vigor, promovendo surpresas agradáveis e desagradáveis, o ex-prefeito de Salvador respondeu: “As articulações partidárias, elas independem do que está acontecendo lá [no grupo do governo], até porque elas já vinham sendo feitas antes. E o ponto de intersecção de conversa, ou seja, os partidos que conversam com um lado e com outro não são tantos assim. Então, assim, não muda, a gente continua dialogando com o MDB, temos dialogado com outros partidos que você já sabem, estou confiante que nós vamos ter uma aliança ampla”.
Provocado se o PP poderia estar nesta ampla aliança, o candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil voltou a dizer que não trabalha com essa hipótese:
“O PP não. Engraçado que eu tenho uma excelente interlocução nacional com o PP, sempre tive, que foi independente de interlocução na Bahia e da mesma forma eu tenho um bom diálogo com pessoas do PP da Bahia, a exemplo do deputado do Cacá Leão, que independe de uma pauta política concreta local. Para ser muito claro, não estou conversando com PP sobre 2022. Eu acho que os desenhos partidários vão ficar claros em dois de abril, isso aí é inevitável, espero que tenhamos os nomes de um lado e de outro, mas os desenhos ficaram na minha opinião definidos no dia 2 de Abril. Se hoje eu estou dizendo que eu não tenho interlocução com PP, mas para que essa interlocução eventualmente pudesse existir, só mediante um fato superveniente, nas condições atuais ele não existe. Eu não vou especular, porque é o tipo de coisa muito sério, vocês me conhecem, já sabe como é que eu sou. Esse tipo de coisa ou você tem uma conversa concreta que é pública que pode portanto ser publicamente defendida ou então não tem porque especular”.
Governo
Questionado sobre Otto Alencar, o ex-prefeito fez um paralelo para elogiar o senador Jaques Wagner, quem prometeu procurar após ser eleito para cuidar dos interesses da Bahia: “Primeiro, em relação ao senador Jaques Wagner, quero aqui deixar muito claro meu respeito a figura do senador. Apesar de sempre sermos adversários políticos, nós sempre tivemos uma relação pessoal de muito respeito e isso ficou bem evidente no período em que ele foi governador, durante dois anos, e eu prefeito de Salvador. Então meu respeito ao senador e a minha certeza que caso eu me elega governador do estado, se essa for vontade dos baianos, minha certeza que depois, no futuro, vou procurar o senador como representante da Bahia para trabalharmos juntos, como fiz quando fui prefeito. Somos adversários políticos, mas sempre tive por ele muito respeito e isso não muda de maneira alguma, não cabe a mim fazer qualquer tipo comentário sobre a decisão do senador Jaques Wagner que é dele e ponto final”.
Voltando ao questionamento do senador do PSD, cujo nome ganhou corpos nas últimas semanas, o político baiano evitou tratar como adversário por ainda não ter algo concreto.
“Em relação a Otto, não sei se Otto vai ser o candidato e não posso estar escolhendo candidato do adversário, a gente precisa primeiro saber quem é o candidato. Mas eu sempre tive com Otto uma relação de muito respeito, no que depender de mim isso não mudará em nenhuma circunstancia, ele candidato ao Senado, ao governo, não vai mudar. Não tem porque a gente transforma a política em uma arena de brigas, se depender de mim isso não vai acontecer, não é porque eventualmente você vai ser adversário de A ou B ou C que você vai rescrever essa história. Mas não posso comentar concretamente pois não sei se ele vai ser escolhido o candidato escolhido pelo grupo do PT, do PSD.
Questionado sobre as eleições ao Senado, com base em pesquisas que mostram que ele poderá ser eleito ao lado de Rui Costa (PT), candidato do grupo adversário ao senado, ACM Neto falou que não dá para se fiar em pesquisas.
“Em relação à eleição do Senado, não temos ainda os elementos para avaliar, está certo, não temos ainda; não sabemos sequer quem é o meu candidato ao Senado e outra coisa e é bom deixar isso muito claro dentro de uma avaliação sempre pé no chão que eu tenho: nós estamos no mês de março, a eleição só vai acontecer em outubro; eu tenho pesquisas qualitativas que mostram claramente que o eleitor vai despertando com o tempo uma atenção crescente, nós políticos e a imprensa, o que é normal, temos uma atenção hoje muito maior do que de fato eleitor tem na ponta. Então, os números hoje são números que podem animar A B ou C, mas não quer dizer que eles vão ser os números de outubro, isso vale para mim também. Então é difícil a gente especular, eu não vou fazer isso. Eu não sei primeiro qual é a chapa adversária… segundo, qualquer que seja ela vai ter o meu respeito e terceiro, não muda quais sejam os nomes, para mim não muda nada. A minha equação é diferente da deles, a minha lógica da campanha vai ser totalmente diferente da deles, eu falar de futuro eles vão ter que falar de presente passado; eles partem de 16 anos e eu parto de 2022 para frente, então somente com a evolução do tempo que a gente vai poder enxergar de fato as coisas como elas são”.
Polarização
Apesar do ambiente conturbado, Neto avalia que o grupo do governo deverá caminhar para uma unidade, ele não crê que do racha entre PT nascerá uma candidatura própria. O seu diagnóstico é que o pleito será polarizado entre ele e o candidato do governo:
“A minha expectativa que eles vão se resolver em algum momento, que vão marchar juntos, certo; então, se você partir do princípio de que eles vão estar juntos, né, de que não haverá uma fissura a ponto de existirem duas candidaturas na base do governo, isso não vai acontecer de jeito nenhum, eu acho que sim, eu acho que esse quadro de dois pólos vão se manter. Difícil você enxergar um nome fora do campo, da base do governo e da minha base, que possa desfazer essa disputa provável, tudo provável e hipotético, entre nós dois. Eu acho que a tendência é essa, digo tendência, eleição é uma surpresa, tudo pode acontecer; mas eu não vejo, a partir do que a gente sente na Bahia, nas nossas andanças, pelo ambiente, eu não vejo a hipótese de que possa surgir algo diferente, exceto se eles não conseguirem se entender. Então, partindo do princípio que ele se entenderão, eu acho que sim, é o que provavelmente ocorrerá”.
Questionado se trabalha para vencer o pleito no 1º turno, como tem alegado aliados à imprensa, o ex-prefeito evitou comentar e falou de pé no chão lembrando sua última eleição:
“Esqueça isso, eu não vou falar disso. Olha, em 2016, -eu vou dar esse exemplo- , eu enfrentei uma eleição em que na primeira pesquisa eu tinha mais de 60% [de intenção de votos], era absoluto, e no final tive 74%. Quem estava comigo sabe, eu vivia aquela eleição todo dia, como se eu tivesse atrás de Alice Portugal, que foi a minha principal adversária, e farei da mesma forma esse ano. Então, não há hipótese, qualquer que seja o resultado dessa pré-disputa, de como vai ficar essa eleição, vou encarar com pé no chão, humildade e não vou deixar ninguém ao meu redor ter um clima diferente de saber que será uma eleição muito dura, disputada, com dois pontos políticos que tem muita força e que vão sair com muita competitividade. Ganhar ou não em 1º turno é consequência do que vai ocorrer até outubro”.
Brasília
O secretário-geral do União Brasil falou que está se afastando do cenário nacional e que a partir de abril será 100% nas eleições da Bahia. Ele voltou a reforçar que caminha para um cenário de palanque aberto com relação aos candidatos a presidente do Brasil.
“Cada vez eu estou me envolvendo menos com a política nacional, o fato inclusive de eu ter deixado a presidência do Democratas me dá muito mais liberdade para isso. Até abril ainda vou ter uma agenda em Brasília porque o partido está se organizando em outros estados, mas quando isso acabar, tá certo, nem em Brasília eu vou mais. Então, o meu desejo é que a partir da primeira semana de Abril minha agenda seja 100% na Bahia. Vou, claro, de alguma maneira opinar, temos também um poder de decisão dentro do União Brasil, mas eu não vou me envolver nisso, meu foco está todo na Bahia. A condução Nacional principalmente será dada pelo presidente do partido, o deputado Luciano bivar. Quero também deixar claro que independentemente de qual será ou não a posição do União Brasil, nós não sabemos ainda, o partido tem um prioridade de candidatura própria a presidente da República, que pode ou não se confirmar, mas independente da posição do União Brasil, a minha eu já escolhi, já decidi e eu vou seguir aqui na Bahia reafirmando que vou governar o estado, caso seja a vontade dos baianos, com qualquer presidente que o Brasil venha a escolher. Não vou limitar e nem restringir o meu palanque a uma candidatura presidencial, provavelmente no meu arco de aliança teremos partidos com diversos posicionamentos distintos no campo nacional, a minha estratégia já há muito é conhecida de vocês, de não nacionalizar a eleição na Bahia e ela não vai mudar um milímetro sequer. A eleição para presidente vai acontecer no Brasil a eleição para governador na Bahia”.
Questionado sobre um suposto plano para alocar Alckmin no União Brasil, para ser vice de Lula, em troca de um apoio ao presidente e de uma política de não agressão no estado, de modo a não desequilibrar o pleito para o candidato apoiado pelo PT, ACM Neto falou que “não tem lógica”. Ele também reforçou que não procurou Lula e que nem procurará, mas ressaltou que não interromperá o diálogo com qualquer força nacional.
“Olha, não tem lógica essa especulação. Filiar Alckmin no União Brasil e apoiar Lula e na Bahia, constituir uma política de não-agressão… isso daí não tem lógica, definitivamente essa equação que você colocou não tem lógica. Eu, da minha parte, não estou procurando ninguém, mas também não me sinto obrigado a deixar de dialogar com ninguém, ok. Então, eu não vou fazer a política do nós contra eles, não existe essa hipótese. Não tenho nenhuma perspectiva no presente de uma agenda com Lula e nem pedi agenda com Lula, nada disso; agora, eu vou deixar de dialogar como as mais diferentes correntes políticas nacionais do Brasil? Não vou, isso não há hipótese. Agora essa construção que você colocou, é uma construção que ao meu ver não se sustenta; e veja bem, houve até teorias da conspiração, porque sempre acontece, que sugeriram que essa retirada de Wagner tinha haver com uma interlocução nacional, não existe, isso não existe; até porque o PT da Bahia é muito grande, muito forte e as decisões são daqui, está certo, a gente sabe disso… se fosse no União Brasil, se fosse o contrário, seria a mesma coisa. Então, assim, que fique claro, que fique muito claro, hoje não existe uma pauta comum nacional entre o União Brasil e o PT, não existe, mas isso não quer dizer que nós estamos impedidos de dialogar com quem quer que seja, de maneira alguma”.
Ataques
Questionado sobre os recentes ataques do ministro da Cidadania e pré-candidato ao governo da Bahia, João Roma, seu ex-chefe de gabinete, que apontam para um candidatura que apostará no fogo amigo, ACM Neto negou que trabalhe com a hipótese de que o ministro de Jair Bolsonaro poderá ser um elemento de desestabilização para sua campanha. Roma disse que Neto representa uma anti-liderança, pelo seu comportamento autoritário e pela ingerência que realiza no executivo de Salvador.
“Vocês já me viram responder alguma coisa que seja fruto de declarações do ministro? Hora nenhuma, não vai ser agora, ponto. Cada um cuida da sua vida, eu vou continuar cuidando da minha vida. Essa pergunta que vocês fazem, se isso pode ser algum fator de desestabilização, essa é uma pergunta que está aí posta há pelo menos um ano, que é o tempo que o ministro se tornou ministro; está certo, e efetivamente vocês sempre ouviram de mim a mesma coisa, eu toco a minha vida e sigo meu caminho. Nada diferente disso, não tenho o que discutir, não tenho o que debater com o João Roma, tá certo, absolutamente nada dizer. Eu não vou reescrever a minha história, eu não vou rescrever o meu passado, essa hipótese ela não existe, e cada um que seja julgado pelo que faz pelo que diz”



