O senador e pré-candidato ao governo da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o governador do estado, Rui Costa (PT), se encontram com o ex-presidente e candidato ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, na sede do Instituto Lula, em São Paulo (SP), na tarde desta terça-feira (15), na busca por apagar um incêndio interno e silencioso aberto após o gestor da Bahia promover um movimento brusco para se viabilizar como candidato ao Senado Federal e amarrar o PSD.
Ao OFF News, um fonte do grupo explicou os contornos que a reunião desta terça-feira (15) tomou, após o chefe do executivo estadual propor a Lula, em reunião que teve em janeiro, uma solução para ele obter o apoio do PSD já no 1º turno.
“Rui Costa esteve no início de janeiro com Lula, em São Paulo, para gravação do Programa da band e tal. Na conversa que teve com Lula ele colocou a seguinte equação: Rui Costa ao Senado, com o PT sendo deslocado do governo com ele, e Otto Alencar na cabeça de chapa, como candidato ao governo da Bahia. A ideia é com isso forçar Gilberto Kassab a apoiar Lula já no 1º turno. A justificativa para rifar a candidatura de Wagner seria o apoio do PSD a Lula. Mas, ao que parece, isso não prosperou. É bom destacar que isso não foi combinado nem com Wagner e nem com o PT. Agora haverá uma conversa entre os três para debater essa questão da composição”, explicou a fonte.

O PSD apresentou o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, como candidato a presidente da República.
Gilberto Kassab, presidente da legenda, já afirmou em entrevista para jornalistas que a chance de estar ao lado de Lula no 1º turno é zero. O senador Otto Alencar é presidente do PSD Bahia e homem da confiança de Kassab.
A fonte segue pontuando que essa tese não tem como prosperar em um cenário onde o PT determinado a eleger Jaques Wagner governador e o próprio senador animado com a ideia de voltar para o Palácio de Ondina.
“Na verdade, a hipótese de Rui é de ser candidato, e para ele ser candidato ao Senado a única solução é alocar Otto no governo; mas isso é um movimento que não tem encaixe nem com Wagner e nem com PT, não é articulado. No afã disso, para viabilizar sua posição política ou para poder entrar com mais força na lista de um eventual ministério, Rui resolve agradar Lula propondo uma solução que não tem como prosperar. Não existe o debate Rui senador e Otto governador. Não sei o que levou ele a fazer esse movimento, fala-se que está sofrendo uma pressão da família para ser candidato, não sei se foi uma mosca azul que o mordeu ou se foi por questão pragmática. Mas isso é um fato tratado internamente, não provocou um racha no PT, mas é notório que o PT está integralmente fechado entorno da candidatura de Wagner”.
Eleição
Saindo dos aspectos internos, a fonte explica que a eleição de 2022 não será ‘fácil’ como foi a dos últimos anos.
A avaliação é de que, ao ter ACM Neto como adversário, será preciso um candidato com competitividade: “além da resistência interna, ainda tem o fato de que todo mundo acha que essa eleição será dura e sendo assim, todo mundo acha que a competitividade da chapa Wagner-Lula será bem maior que a de Otto-Lula”.
Ao ser questionado sobre a reação de Wagner ao saber do movimento de Rui Costa que o colocou em xeque, a fonte afirmou:
“Não sei como recebeu, mas pelo que conheço de Wagner; ele conviveu com Geddel fazendo chantagens por dois anos… E ele na dele, sem passar recibo. Wagner convive sem passar recibo, sem demostrar contrariedade, é o jeito dele de fazer política”.
A reunião desta terça-feira (15) contará com a presença do senador Otto Alencar (PSD).
A estratégia também agradaria o PP, ao colocar o vice-governador da Bahia, João Leão, como governador em um mandato tampão de nove meses, tendo a vice assegurada.