O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, lotou o centro de Convenções de Salvador durante lançamento de sua pré-candidatura, mostrando força e sinalizando que dessa vez o recuo é improvável.

Na plateia, personalidades políticas da Bahia e de fora do estado, além de familiares e apoiadores.

Em entrevista coletiva para imprensa, antes de subir ao palco, o presidente do Democratas evitou responder e até citar o nome do ministro da Cidadania e seu ex-aliado, João Roma, diferente do que fez quando questionado sobre o seu outro virtual adversário, o senador Jaques Wagner (PT), quem chegou a dizer que tem “boa relação”, antes de afirmar que não emitiria juízo de valor sobre adversários.

Ao ser questionado sobre conversas com o Partido Progressitas, base de Rui Costa (PT), projetando uma aliança para 2022, o ex-prefeito de Salvador deixou claro que até o momento não tratou de política partidária com a sigla do centrão.

“Eu sou transparentes nas minhas relações. Eu não tenho hoje nenhuma conversa com o Progressista da Bahia; tenho até uma relação muito boa, do ponto de vista pessoal, com algumas de suas lideranças. Tenho uma relação muito boa em Brasília, com as principais figuras do progressista, mas aqui na Bahia, hoje, nós não temos nenhum ponto sendo discutido, uma pauta sobre alianças para 2022. “Ah Neto, você deixaria de conversar com o PP?” Não, não deixaria, como não deixaria de conversar com ninguém que tenha disposição de conversa comigo; mas é o tipo de coisa que não adianta a gente ficar especulando, sobretudo porque essa conversa hoje não existe. Se o cenário mudar, se houver um contexto diferente daqui há alguns meses e essa conversa se tornar possível, vamos tratar lá na frente. Por enquanto, nada existe”, reforçou ACM Neto.

Questionado sobre o PL, partido ao qual estava apalavrado e que filiou nesta semana o presidente da República, Jair Bolsonaro, Neto admitiu em público pela primeira vez não saber o que ocorrerá com a sigla na Bahia.

Há especulação de que está ocorrendo um processo de bolsonarização da sigla, que pode ser a escolhida por João Roma para disputar ao cargo de governador.

“Quem fala pelo PL é o presidente nacional Valdemar da Costa Neto ou o presidente estadual José Carlos Araújo, eu não posso falar sobre o PL. Nunca disputei uma eleição, eu; como candidato majoritário, tive duas eleições vitoriosas para prefeito, eu não tive apoio do PL. O PL, é bom lembrar, em 2018, na última eleição, foi da base de apoio Rui Costa. Nós conseguimos construir uma articulação política que permitiu apoio do PL à candidatura de Bruno no ano passado; mas só quem pode falar pelo PL é só o PL, Valdemar ou Zé Carlos. Até o momento em que haja uma manifestação formal e oficial, a única coisa que posso dizer é que não sei, realmente… Zé Carlos é um amigo, todos sabem, de longa data, estive recentemente em Morro do Chapéu, cidade em que sua filha é prefeita, manteremos nossa amizade, nossa parceria, mas ele é presidente estadual estadual PL; eu sinceramente não sei o que vai acontecer, qual vai ser o direcionamento do PL por aqui”, pontuou Neto.

Chapa

O virtual candidato pelo União Brasil acredita que ainda seja cedo para especular qual será o cenário da corrida presidencial. Citando 2018, ele lembrou que a dez meses da eleição, atual momento para o pleito de 22, ninguém apostaria que Bolsonaro seria eleito, inclusive ele, fez questão de ressaltar.

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Ele sinalizou que em seu radar está a tese de balanque aberto, dado ao arco de aliança que deve ser construído com siglas que tem candidato ao Palácio do Planalto.

“É muito cedo para a gente afirmar qual vai ser o desenho da eleição presidencial e quais serão os reflexos que esse desenho terá aqui na Bahia. O que a gente enxerga hoje no Brasil, o que é óbvio, é que temos uma eleição polarizada, de um lado Lula e de outro Bolsonaro. Não sabemos se uma alternativa a essa polarização vai se consolidar ou não, é cedo para dizer, e qual vai ser esse nome. O fato é que não é correto alguém querer especular ou carimbar minha candidatura como vinculada a um dos candidatos à Presidência da República. Eu não sei ainda quais são os partidos que vão estar comigo. Pode ser também que eu tenha um candidato a presidente e que aliados meus tenham outros e que a gente conviva com respeito. Você citou o PDT, PSDB, as dúvidas com relação ao União Brasil e outras coisas que podem acontecer”, respondeu ACM Neto a um jornalista.  

Ao ser interpelado sobre qual será o desenho de sua chapa e se Zé Ronaldo estará nela, o ex-prefeito de Salvador elogiou o ex-prefeito de Feira, mas evitou bater o martelo por, segundo ele, ter em mente um processo de construção de chapa coletivo.

“Zé Ronaldo um dos caras mais importantes nessa construção. Ele está ajudando nas articulações com vários municípios. Ele tem um papel de destaque, de liderança; agora com relação a figurar ou não na chapa marjoritaria, volto a dizer, esse vai ser último passo da caminhada que estamos começando hoje. Então, não adianta especular sobre partidos e sobre nomes, não gosto de fulanizar, precisamos ter um projeto que seja consistente e na hora certa os nomes vão aparecer. Zé Ronaldo reúne qualidade para estar na chapa, sim, como outros; essa decisão não será pessoal, não vou estabelecer preferências pessoais, será uma decisão coletiva e conjunta com todos os partidos”, ressaltou o virtual candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil.   

Nacinalização

ACM Neto construirá sua campanha evitando que ela seja nacionalizada, pois sabe que caso isso ocorra, o fato de não ter um nome específico para apoiá-lo poderá atrapalhá-lo na disputa, bem como ter do outro lado das linhas a figura do ex-presidente Lula, símbolo maior do lulismo, que possui raízes profundas na Bahia.

Sua crença é que não haverá polarização por força da “inteligência do eleitor baiano”.

Em tom de ironia, ele diz não acredita que alguém poderá vir de fora para resolver o pleito.

“Lamento que algumas pessoas na política subestimem a inteligência do eleitor baiano e fiquem com a cabeça no passado, de achar que alguém vai vir de fora e resolver a eleição na Bahia. Isso vale para Bolsonaro, Lula, para qualquer um. Quem vai decidir as eleições na Bahia são os baianos, que vão acompanhar a partir de agora um debate justo. Governei a cidade com dois governadores e três presidentes diferentes. Acabou essa história e aquele velho discurso cansado de que o prefeito ou governador tem que ser do mesmo partido de A, B ou C; lembra que em 2012, mostrei que isso não era verdade”, relembrou ACM Neto.

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