A corrosão do ministro Paulo Guedes (Economia) entre líderes do centrão se amenizou temporariamente, diz Folha de São Paulo.
“Mas isso teve um custo.Guedes abriu mão de regras fiscais ao chancelar o drible ao teto de gastos para bancar o novo programa social do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afundou ainda mais as perspectivas da reforma do IR (Imposto de Renda), causou contrariedade no mercado e viu mais uma debandada na equipe. Ainda não há perspectiva de data para que o ministro seja obrigado a ir ao plenário da Câmara para explicar recursos no exterior, em uma offshore. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não tem pressa em agendar. Até o momento, a única previsão é que Guedes fale sobre o tema no dia 10 de novembro em audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara”, diz o jornal.
A convocação do ministro para dar explicações sobre a offshore foi aprovada em um momento de alta insatisfação do centrão com o titular da Economia no início do mês.
Guedes possuía à época da convocação R$51 milhões em um paraíso fiscal, a suspeita é que os últimos acontecimentos no Ministério da Economia e a ofensiva contra o Teto de Gastos, que fez o dólar disparar, tenha provocado um lucro que quase R$2 milhões ao ministro.
“No plenário, ele deve ser questionado sobre os rumos da política econômica e medidas para combater a inflação. É um palco, portanto, onde pode haver um desgaste ainda maior para o ministro. Mas, na avaliação de líderes governistas, o momento atual é de cautela, e não está nos planos do centrão gerar ainda mais instabilidade. Isso não significa que o ministro terá vida fácil daqui em diante. A avaliação de Guedes ainda é negativa no grupo de partidos que hoje fazem parte da base de apoio ao governo no Congresso, o chamado centrão”, afirma Folha.