O senador e membro do G7 da CPI da Pandemia, Otto Alencar (PSD), avalia que o relatório de Renan Calheiros, que deverá ser lido na CPI da Pandemia amanhã (20) ou mais tardar na quinta-feira (21), deverá ter um amplo apoio da comissão, até nos artigos mais controversos.
O vazamento promovido por Renan Calheiros no final de semana, que provocou a ira do senador Omar Aziz (PSD), presidente da Comissão, parece ser águas passadas, como sinaliza Alencar: “houve um desentendimento dele com Omar, mas isso já foi pacificado”.
No relatório, há divergências entre membros da CPI a respeito de ao menos três crimes elencados pelo Calheiros: o de homicídio qualificado do presidente Jair Bolsonaro, o de genocídio de indígenas e o pedido de indiciamento dos filhos do presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro. O senador é alvo de um pedido de indiciamento por advocacia administrativa por um episódio em que levou o presidente da Precisa, Maximiliano, ao BNDES, os outros dois filhos estão sendo indiciados por fake news na pandemia.
Questionado sobre o que achava do relatório e se Bolsonaro teria mesmo cometido homicídio qualificado, o senador do PSD respondeu:
“Vamos votar o relatório do Renan, tem algumas coisas mínimas que podem ser alteradas, mas no geral é um bom relatório. Amanhã ou na quinta votaremos, não tem muita coisa que precisa mudar. Olha, o Renan, eu estava lendo o relatório, ele coloca isso [homicídio qualificado de Jair] evocando o Código Penal, se a PGR vai acatar, eu não sei. Agora ele tem embasamento, está muito bem amparado, de acordo ao que está descrito no Código Penal, mas a gente sabe que isso vai muito da interpretação do juiz e do procurador. Olha, o Bolsonaro nunca negou que é favor da morte, basta lembrar que quando deputado ele falava em fuzilar gente, já disse que o golpe de 64 matou pouca gente, tinha que matar mais de 30 mil; ele sempre se pautou nisso, sempre foi assim, ou será que a imprensa e a sociedade se esqueceu disso?”, questiona Alencar.
Apesar de dar o respaldo para o indiciamento de Bolsonaro por homicídio qualificado, o parlamentar e médico baiano recua quando o assunto é o indiciamento do presidente por genocídio contra o povo indígena: “olha, genocídio é uma coisa que me parece de pouca possibilidade de convencer [O MPF]. Genocídio é o extermínio de populações inteiras, seja por etnia, religião, raça, não vejo que tenha tido uma etnia que foi exterminada assim na pandemia, talvez isso é algo que possa ser retirado”.
Clã
Em relação aos filho de Bolsonaro, Otto Alencar destaca que se Renan Calheiros decidir manter, terá o seu voto: “todos os três fizeram fake news na pandemia, mas o Flávio não é acusado disso no relatório, ele está sendo acusado advocacia administrativa. Se for constar no relatório, vai ter meu voto a favor”.
O senador da Bahia avalia que haverá uma resposta dura da CPI da Pandemia ao experimento feito na Prevent Senior, que resultou na morte de dezenas de pessoas, através da mudança de tratamento hospitalar e na recomendação de medicamentos do chamado Kit Covid, ineficazes contra Covid-19: “os caras vão ter que responder por crime contra vida, crime sanitário, não tenho dúvida, está muito caracterizado”.
Há um movimento de dois deputados aliados ao governo Bolsonaro, Eduardo Girão (Podemos) e Marcos Rogério (DEM) para apresentar relatórios paralelos. O político do PSD deixou claro que o movimento que busca desqualificar o relatório principal, de Renan Calheiros, não irá funcionar.
“A Oposição diz que vai apresentar, mas é bom deixar claro que no momento em que aprovarmos o do Renan, todos os outros perdem a validade. Assim que votarmos o do Renan, aprovou, acabou, os outros perdem a validade. E uma tentativa para desqualificar o relatório principal, mas não terá sucesso”, ressaltou Alencar.