Diante da resistência do Senado Federal em dar trâmite à indicação de André Mendonça para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria de Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em conversa com mais de um senador, segundo apurações de Noblat, admitiu trocar Mendonça por Augusto Aras, procurador-geral da República.
“A escolha de Mendonça deveu-se antes de tudo ao compromisso assumido por Bolsonaro com parte de sua base eleitoral de pôr no Supremo um ministro que fosse “terrivelmente evangélico”. O presidente acha que honrou o compromisso. Mas se o Senado não quer Mendonça, o que ele pode fazer? Os senadores reconhecem que Mendonça tem conhecimentos jurídicos, é uma boa pessoa e até simpático. O que o condena é seu passado de defensor da Operação Lava-Jato. Nem eles, nem os deputados querem aumentar no Supremo a bancada de ministros órfãos do ex-juiz Sergio Moro e do combate à corrupção”, diz Noblat.
No STF, os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes fazem lobby para Augusto Aras, embora nada tenham de especial contra Mendonça.
Em agosto, Aras foi reconduzido por Bolsonaro ao cargo de procurador-geral, mas o ato de sua nomeação não foi até aqui publicado no Diário Oficial.