O senador Otto Alencar (PSD) lembrou, durante discurso na CPI da Pandemia, nesta quinta-feira (19), que os primeiros alvos em uma ditadura são os que apoiam a sua instalação. Citando o jornalista Carlos Lacerda, ele argumentou em defesa da quebra de sigilo de sites e organizações que produzem fake news e ataques à honra.

Ele prestou solidariedade ao presidente da comissão, Omar Aziz (PSD), acusado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) de pedofilia, em postagem em sua rede social.

“Prestar solidariedade a vossa excelência pela acusação indevida feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, não tem cabimento aquilo que ele colocou para agredir a honra e dignidade de vossa excelência. Vossa excelência tocou no tema do golpe de 1964. Os mais atingidos foram os aliados, o maior aliado foi o Carlos Lacerda, que foi exilado. A força bruta não respeita a democracia. Lutar para derrotar a força bruta é um dever de todos nós. É necessário quebrar o sigilo desses acusadores covardes que se escondem atrás de computadores ou celulares para deslustra a imagem das pessoas que defendem a liberdade e a democracia”, destacou Alencar, em defesa da quebra de sigilo telemático, fiscal e telefônico de proprietários de sites de notícias que divulgam fake news e que promovem ataques à honra das pessoas.   

Carlos Lacerda

Carlos Frederico Werneck de Lacerda foi um jornalista e político brasileiro. Foi membro da União Democrática Nacional, vereador, deputado federal e governador do estado da Guanabara. Foi fundador e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa, assim como criador da editora Nova Fronteira.

Apoiou o Golpe de 1964 e em novembro, já divergindo dos militares que haviam tomado o poder, lançou-se candidato pela UDN à Presidência da República. Contudo, teve suas pretensões frustradas pelo Ato Institucional no 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965, que acabou com a eleição direta para Presidente da República. Em 1966, com o apoio de Kubitschek e Goulart, que se encontravam exilados, articulou a Frente Ampla, pregando a união das forças políticas democráticas em torno da necessidade de redemocratização do País. Em abril de 1968, a Frente foi banida e, em 14 de dezembro seguinte, um dia após a edição do AI-5, Lacerda foi preso. Conseguiu ser libertado após uma semana de greve de fome, mas daí a poucos dias teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Morreu no Rio de Janeiro em 22 de maio de 1977.

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