O senador Otto Alencar (PSD) defendeu que sejam mantidas as votações previstas para essa terça-feira no Congresso Nacional. 

Após o desfile dos tanques das Forças Armadas, promovida por Jair Bolsonaro, em Brasília, que provocou reações de diversos parlamentares e partidos, interpretando o ato como uma provocação contra o poder legislativo e judiciário, no dia em que será votado dois projetos que são as meninas dos olhos do presidente da República, a Lei de Segurança Nacional  a PEC do Voto Impresso, se cogitou o adiamento das atividades.   

“Eu acredito que a Câmara dos Deputados, como foi noticiado, que poderia suspender a votação sobre a questão do voto impresso, não deverá fazê-lo; deve-se manter a votação hoje no plenário, como também aqui no Senado deveremos votar a mudança na Lei de Segurança Nacional, retrógrada, fora dos padrões do regime democrático”, criticou Alencar em seu pronunciamento. 

O desfiles do tanque nas ruas de Brasília, na manhã desta terça-feira (10) , promovido pelas Forças Armadas para entregar um convite de uma manobra militar em Goiás, ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ocorre coincidentemente no dia de votação de dois projetos importantes para o chefe do executivo federal: a PEC do Voto Impresso na Câmara e a Revogação da Lei de Segurança Nacional no Senado Federal.

Bolsonaro
Apesar de anual, comboio das Forças Armadas nunca tinham adentrado por Brasília em seu caminho ao estado de Goiás / Foto: Facebook Jair Bolsonaro

Afronta

O parlamentar do PSD lembrou dos momentos em que o presidente se referiu às Forças Armadas como sua propriedade, citando os episódios em que disse que Bolsonaro citou o Exército como “meu Exército”.     

“Uma afronta clara à Constituição no seu artigo 5º. O presidente, ao contrário da motociata, de colocar hoje os blindados em frente ao Palácio do Planalto na tentativa de intimidação… e não nos intimida. No meu caso, e de vários senadores, deputados, nas assembleia, não vamos recuar. Se ele quer sangue, tem sangue generoso a ser ofertado à sua vontade de fazer golpe militar no Brasil, sem dúvida nenhuma. Ele deveria preocupar como hoje, a inflação bateu 0,98, é a maior inflação desde 2002, e com os quase 580 mil pessoas que perderam a vida [na pandemia]”, destacou Otto Alencar.  

O senador baiano afirma que ao invés de gerar emprego e renda para os 15 milhões de desempregados, o que comove e estimula o presidente da República é a proteção do seu mandato, “fazendo campanha e  protegendo pessoas do seu círculo familiar” de suas responsabilidades frente à justiça: “nenhum chefe de poder deve estar ao lado presidente, ele deve estar sozinho na posição de querer estimular golpe militar. As pessoas, no ano que vem, de forma livre e soberana, irão votar, escolhendo o presidente da república. O presidente do Senado  da Câmara tem que fazer um posicionamento. Estaremos vigilantes, dispostos a seguir qualquer caminho, quer seja de confronto, para que ele não possa fazer aquilo que deseja, tentativa de golpe militar no momento em que a democracia brasileira está sustentada por suas instituições”.

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