Teor da quebra de sigilo de Emanuela Medrades, diretora da Precisa Medicamentos, intermediária da Covaxin em contrato do Ministério da Saúde, obtido com exclusividade pela Folha de São Paulo, contradiz o que ela disse em oitiva na CPI da Pandemia.
“A quebra do sigilo do telefone usado pela diretora da Precisa Medicamentos para negociar a vacina Covaxin com o Ministério da Saúde revela uma atuação intensa antes de os dois lados se sentarem formalmente à mesa para uma primeira proposta de compra do imunizante. Os contatos envolveram áreas do ministério que não tinham atribuição direta de negociar vacinas contra a Covid-19”, diz Folha.
Em seus depoimentos à CPI nos dias 13 e 14, Medrades foi evasiva e disse que só teve contato em maio e com Roberto Dias, que era o diretor do Departamento de Logística em Saúde (Delog). Os registros das chamadas desmentem a diretora da empresa representante do laboratório Bharat Biotech.
Ela teria feito uma ligação ao DLOG em 4 de novembro, ou seja, 16 dias antes da primeira reunião formal para tratar da possibilidade de compra, no dia 20 de novembro.
“O relatório da quebra de sigilo telefônico registra ainda quatro chamadas ao número fixo do PNI, em 12 e 13 de novembro, e duas ao gabinete da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, no mesmo dia 12.”
O PNI era comandado por Francieli Fantinato, que participou da reunião técnica feita em 20 de novembro para tratar da aquisição da Covaxin.
“Nessa reunião, com representantes da Precisa Medicamentos –Medrades e Maximiano entre eles– e da Bharat Biotech, foi feita uma proposta de US$ 10 por dose, conforme o memorando do encontro. O contrato foi assinado em 25 de fevereiro com preço estabelecido de US$ 15.”
Três dias após a reunião, houve quatro chamadas ao gabinete de Elcio Franco, braço direito de Eduardo Pazuello. Em 18 de janeiro, o gabinete do secretário-executivo fez chamadas ao celular da diretora da Precisa, por volta das 21h. Às 22h59, Franco assinou um ofício em que reiterava “o grande interesse deste Ministério da Saúde em dar continuidade aos diálogos proveitosos com a Bharat Biotech”.
Ocorreram ainda cinco chamadas do DLOG ao celular de Medrades em fevereiro. No dia 11, Elcio Franco reiterou a intenção de compra de 20 milhões de doses: “Os outros três registros de chamadas ocorreram em 25 de fevereiro, dia da assinatura do contrato.”