O governador Rui Costa (PT) utilizou a mesma justificativa que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), tem utilizando quando questionado sobre o esquema da Covaxin no Ministério da Saúde, de que não pode saber de tudo que acontece no governo.
Ao ser questionado pela Polícia Federal sobre o processo de compra de 300 respiradores junto à empresa Hempcare, via Consórcio do Nordeste, e que não foram entregues, presidido à época por ele, o gestor da Bahia se omitiu de qualquer culpa:
“Eu não sei, não olho todos os dias o portal e não sei o que lançam. Isso não é função do governador, nem de lançar no portal, nem de checar de cada ato… Imagine quantos milhares de atos, no dia de hoje, foram feitos pela secretária de Educação, de Saúde, de Infraestrutura, de diversas secretarias e órgãos que devem ter lançado no sistema. Não é obrigação do governador de checar se cada órgão, cada departamento publicou e, muito menos, lançar. Então não é minha tarefa, estou sabendo agora que não foi lançado no tempo correto”, explicou Rui Costa em depoimento na PF, ao ser questionado acerca de erros no trâmite da compra dos respiradores, transcrito em processo que corre em sigilo e ao qual a Veja teve acesso.
Fantasmas
“No caso dos respiradores fantasmas da Bahia, a investigação resvalou no governador Rui Costa (PT), que presidia o Consórcio Nordeste à época dos fatos. O inquérito, inicialmente conduzido pela polícia baiana, apresentou a Hempcare como ponta de uma rede criminosa. O negócio, desde o início, foi planejado para dar errado. Vasculhando o contrato, os investigadores detectaram uma série de ilegalidades para facilitar e agilizar ao máximo a negociação. Só para citar um exemplo: o acordo original previa a contratação de um seguro internacional para garantir a entrega da mercadoria, uma cláusula que visa exatamente a proteger o comprador. No meio do processo, o contrato foi modificado. O seguro passou a valer apenas a partir do momento em que os respiradores deixassem a China, de onde teoricamente seriam importados. Como esse embarque nunca aconteceu e o pagamento foi antecipado, 48 milhões de reais foram para o ralo, numa trama, segundo os policiais, que ultrapassou “os limites da vilania”, diz matéria da Veja.
Por envolver Rui Costa e outros governadores de estado, o inquérito corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob segredo de justiça.
Em abril do ano passado, época da compra dos respirados pelo Consórcio do Nordeste, a Hempcare Pharma tinha apenas dois funcionários registrados.
“Apesar de modesta, a firma foi contratada por R$48 milhões de reais para fornecer 300 respiradores ao Consórcio Nordeste. O negócio, fechado a toque de caixa através do WhatsApp e com pagamento adiantado, previa a compra e a distribuição dos equipamentos aos nove estados da região. A microempresa, como se sabe, na verdade aplicou um monumental golpe: sumiu com o dinheiro e nunca entregou as máquinas”, diz Veja.



