O deputado Luis Miranda (DEM-DF), autor das denuncias das irregularidades na compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde, divulgou um vídeo, nesta sexta-feira (23), comemorando o cancelamento do contrato entre a fabricante indiana Bharat Biotech e a Precisa Medicamentos, intermediária que tentava vender os imunizantes ao governo brasileiro com suposto sobrepeso.
“O ministério da Saúde tem que ter uma intervenção lá dentro, fiscalização todos os contratos que vão descobrir como é grande o roubo dos cofres públicos envolvendo saúde pública e matando nosso povo. Querem que eu responda por ter defendido meu povo, isso não é ser político, é ser bandido”, denunciou o político.
Emocionado, Miranda reclama de ser investigado por denunciação caluniosa “por ter denunciado um crime contra saúde pública” e por seu irmão está tendo que viver recluso por medo de ameaças.
“Eu que estou no Conselho de Ética (da Câmara dos Deputados) por levar ao presidente uma denúncia que ele não levou a sério. Um processo que não consegue nem passar pela Anvisa de tão irregular que ele é. Um empenho de U$$1.6 bilhão. Estão destruindo o nosso país com essa idolatria de defender político bandido. Sou que o PGR vai decidir se devo ou ser investigado pela PF por um pedido de ministros imorais, irresponsáveis, que ao invés de investigar denuncia querem denunciar o denunciar, eu não deletei nada, tenho todos os documentos que provam mas não preciso provar nada, a própria indústria está provando”, desabafou o político do Democratas.
Rescisão
Em nota à imprensa, enviada nesta sexta (23) em inglês, a Bharat Biotech diz ter sido “informada recentemente” de duas cartas que estão “circulando online” supostamente de autoria de executivos da empresa. A Bharat “nega veementemente” a autoria das cartas.
Os dois textos são datados de fevereiro e estão escritos em português. Um deles é dirigido “[a]o Ministério da Saúde do Brasil”.