A ex-coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, afirmou, durante oitiva na CPI da Pandemia, que o ministério da Saúde, na gestão Eduardo Pazuelo, decidir por conveniência compra uma quantidade menor de vacinas pedidas pelo setor responsável pela vacinação no Brasil.
“Nós fizemos uma nota inicial da Covax Facility pedindo o quantitativo, diante do cenário de incerteza; fizemos uma modelagem, um cálculo, e entendemos que naquele momento precisaríamos de x dose, se não pudesse ser atendido naquele quantitativo de x dose, que a gente fizesse vacinação pelos grupos prioritário. Havia um quantitativo superior ao definido [comprado] na Covax”, pontou Francielli.
Ao ser interrogada sobre qual era a estimativa, a ex-servidora do MS explicou: “Dia 19 de junho de [2020] nosso quantitativo variava, com um cenário de incerteza , de 140 a mais ou menos 242 milhões de doses; tendo em vista uma única dose pois não tinha na época nenhum pré-print falando que as vacinas seriam de duas doses, não tinha estudo”.
O Ministério da Saúde adquiriu a menor cota, 10%, cerca de 42 milhões de dose de vacina a serem enviadas pelo consórcio de países gerido pela Organização Mundial de Saúde.
“No melhor cenário a gente precisaria de algo em torno 140 milhões de doses para tentar um controle da transmissão. Se não fosse possível trabalhar com o controle, trabalharíamos com a redução de mortalidade, óbito, com um quantitativo, tendo em vista a manutenção da força trabalho do setor de saúde, risco de complicações e óbito e a manutenção do serviço nos setores essenciais”, ressaltou Francieli Fantinato.
Enquanto havia resistência para compra junto ao consórcio da OMS, Pfizer e Coronavac, o governo se organizava para adquirir imunizantes através de empresas intermediárias.