O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, afirmou, em oitiva na CPI da Pandemia, afirmou que não marcou reunião com o policial militar Cristiano Dominguetti, representante da Davatti, e que estava em um shopping com um amigo quando foi surpreendido com a chegada do representante da empresa que teria doses da AstraZeneca ao lado do Coronel Reformado do Exército, cujo nome é Coronel Blanco.

Ele negou ter feito oferta de propina de 1 dólar por dose, como afirmou Dominguetti em oitiva na CPI da Pandemia na semana passada.

“Estava em uma agenda com amigo para tomar um chopp em restaurante. José Ricado Santana. Na sequência coronel chega com esse senhor apresentado como Domingueti. Falamos de futebol e depois ele tocou num assunto da vacina, e ele fez uma oferta 400 milhões Coronel Blanco, por intermédio deste senhor Cristiano. Fiz um gentileza, não se tratasse âmbito do ministério [no bar], pedi que formalizasse uma agenda. Enviou [O PM] às 20h50 um e-mail com o pedido de reunião, minha assessoria avisou, pedi para que marcasse para às 15h”, destacou Dias. 

O ex-diretor do MS diz que havia uma rotina no MS, no período da pandemia, de pessoas procurassem o órgão para ofertar vacina: “Diversas pessoas foram ao ministério oferecendo 200 milhões, 100 milhões de dose. Entrei em contato no início de Fevereiro com o representante da Davatti e me identifico como diretor logística e pergunto sobre essa possível existência de doses. E aguardo eles mandarem a documentação, como todas que mandam e nunca atende [ao prometido] e o assunto morre. Ele [Domingueti] não apresenta a carta de recomendação do fabricante [AstraZeneca]; até existência desse senhor Cristiano, não se apresentava como Davatti, era Latin Suplay”.

Roberto Ferreira afirmou que na reunião do dia seguinte após encontro no restaurante, Dominguetti seguiu apresentados documentos que não asseguravam a transação e que ele não tinha a carta atestando como representante da AstraZeneca: “provada do desconhecimento desse aventureiro do funcionamento do MS”. 

Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Dias nega a acusação.

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