O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, afirmou, em oitiva da CPI da Covid, que partiu dele o cancelamento do contrato de testes rápidos por um empresa com histórico de não entrega no MS.
“O senhor assina o contrato e depois cancela, como é isso?” questionou o senador Alessandro Vieira.
O diretor afirmou que consultou a área técnica e foi informado que nenhuma proposta atendia ao que estava no edital: “Diante disso, remeto um despacho pugnando pela nulidade, uma vez que tinha um vício insanável no processo”.
O senador Omar Aziz se irritou com o ex-servidor do MS, ao dizer que não lembrava de quem indicou os cargos do hospital do Exército do Rio de Janeiro.
“Não era de sua área negociar vacina seu Roberto, mas o senhor negociou. Ele sai do MS com suspeita de ter tentado negociar vacina e de ter pedido para colocar em cada dose 1 dólar”, criticou o presidente da CPI da Pandemia.
A senadora Simone Tebet (MDB) avalia que o depoimento de Roberto Dias serviu para mostrar que havia um núcleo militar “tomando conta do galinheiro”.
O ex-secretário da Saúde, Élcio Franco, foi citado diversas vezes como o principal responsável pelas manobras para tramitação da Covaxin, que tinha valor superfaturado, empresa estranha ao contrato com sede em paraíso fiscal como recebedora, tudo isso sendo construído através da e pressão sobre servidores para não afetarem o processo.
“Estava se querendo tirar um núcleo de poder do MS. Estava querendo colocar um núcleo militar para tomar conta desse galinheiro. Tirou poder do Roberto, colocou um militar, que era o número 1º, e um militar que era o 2º. Covaxin vai ser o grande calcanhar de Aquiles do governo, está gritante que está tudo errado”, destacou Tebet.
“O número 1º [Élcio Franco] tinha mais poder de mando que o ministro”, destacou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede), arrebatando.