Após matérias do OUL, publicadas nesta segunda-feira (5), trazerem áudios da ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ligando-o a um esquema de rachadinha quando ainda era deputado federal pelo Rio de Janeiro, o senador Alessandro Vieira (sem partido) utilizou uma rede social para revelar que irá protocolar, no Senado Federal, um requerimento de abertura da CPI da Rachadinha, baseadas nos depoimentos.
O filho do presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota), que responde a processos na justiça do Rio de desvios de recursos públicos através de rachadinha, também é citado nas materias.
“Ninguém está acima da lei. Os fatos narrados são graves e exigem apuração imediata. Apresento hoje o pedido de CPI da Rachadinha. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8:32)”, destacou Vieira, utilizando o texto bíblico citado com frequência por Bolsonaro.
A deputado federal Lídice da Mata (PSB) avalia que as denúncias reforçam que a rachadinha parece ser uma marca da família Bolsonaro: “É mais um escândalo envolvendo a Família Bolsonaro, a rachadinha parece ser uma marca da família; a compra de imóveis em dinheiro é outra marca suspeita. A utilização de fake News é outra marca criminosa e, agora, a corrupção na venda de vacinas é a nova marca de um governo que não tem compromisso com a defesa da vida do cidadão brasileiro e sim com a defesa dos negócios dos seus amigos”.
O deputado federal Jorge Solla (PT) classifica os áudios como “graves” e sinaliza que “em qualquer democracia série” eles teriam força para derrubar o presidente da República. Ele avalia que se não servirem para uma ação jurídica ou parlamentar contra o presidente, já que se tratam de fatos ocorridos fora do atual mandato de Jair Bolsonaro, os áudios servem para mostrar que o presidente não é tão ético como afirma ser.
“Os áudios da ex-cunhada de Bolsonaro são graves e derrubariam presidente em qualquer democracia séria no planeta. Aqui, no entanto, nem cheque do operador financeiro do esquema de corrupção na conta da esposa do presidente tem sido considerado suficiente sequer para que se abra investigações. De qualquer maneira, os áudios são elementos fáticos que colaboram de sobremaneira nesse processo de desintoxicação da parcela da população que se radicalizou no bolsonarismo”, avalia Solla.
Em tom de ironia, o petista frima que ainda “sobraram uns 15% que estão em dissonância cognitiva, resultado de um ódio cultivado contra o PT com esse enredo fantasioso da Lava-jato”.
O deputado federal do PT Bahia acusa Bolsonaro de aparelhar os órgãos de investigação para blindar ele os seus familiares.
“caíram no conto de que um ex-capitão do Exército poderia ser a saída contra a corrupção. E ele é exatamente o oposto: roubou a vida toda, chegou na Presidência e a primeira coisa que fez foi aparelhar os órgãos de investigação pra tentar salvar sua família, que hoje goza de um patrimônio injustificado, mansão de R$ 6 milhões, fortunas que nenhum presidente até hoje almejou alcançar, vivendo apenas do serviço público. Mesmo entre os mais radicais, ficou constrangedor defender a honestidade de Bolsonaro”, ironizou Jorge Solla.



