O policial militar do estado de Minas Gerais e representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti, reafirmou, em oitiva na CPI da Covid, nesta quinta-feira (1), que o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, exonerado na última terça-feira (30), solicitou um dólar a mais para cada dose de vacina da AstraZeneca que ele estava intermediando a ser adquirida pelo MS.
“A reunião foi com o Coronel Blanco, Roberto Ferreira e um empresário que não me recordo o nome. A primeira proposta era de U$$ 3,50 por dose, a mais barata, e Roberto Ferreira pediu 1 dólar por dose. A Davati ofereceria 400 milhões de doses. Roberto disse que se não majorasse o valor não teria aquisição. Ele disse que a pasta dele tinha o controle do orçamento. “, explicou Dominguetti.
O policial militar explicou que não ocorreu o avanço na venda pois o valor da propina iria recair sobre o seu lucro pela intermediação: “O que aconteceu nesse avanço da vacina; Tudo era com o mercado lá fora, por isso não tem como eu aceitar qualquer coisa, embora seja imoral, teria que tirar meu bolso para pagar. Se lá [no contrato] não colocar um dólar, como eu iria pagar? É o mercado lá fora. A primeira proposta era a menor do mercado ,três e cinquenta [dólares] por dose, e não fechou”.
Denúncia
Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, publicada na terça (29), Dominguetti havia denunciado que, em fevereiro deste ano, o então diretor de Logística do ministério, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina. Conforme a reportagem, a negociação envolvia 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, fatos confirmados na CPI da Pandemia.