O senador Otto Alencar (PSD), autor do requerimento de convocação do diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, apontado pelo servidor Ricardo Miranda, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF), como um dos agentes principais da pressão feita para antecipação de R$46 milhões para compra de quatro milhões de doses, avalia que há indícios que indiquem um grande esquema criminoso atuando através dos contratos para compra de vacina pelo Ministério da Saúde.
“Roberto é o diretor responsável por todas essas compras, quem autorizava, uma pessoa que tinha o poder maior dentro da estrutura do governo. Ele tem muito a explicar, porque as coisas estão começando a aparecer agora, todo esse esquemão de corrupção dentro do governo e nós vamos ter que investigar. Não dá para incriminar ninguém, mas temos provas contundentes, evidências, as suspeitas são muito fortes”, destacou Alencar.
O político baiano cita como um dos indícios de que a denúncia do deputado Luis Miranda procede é o fato do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), não ir à público desmentir o parlamentar do Democratas do DF: “Uma coisa chamou a atenção: o presidente, que sempre usava o cercadinho para falar, nesse período deu um passo atrás, não contestou o deputado que o acusou ter citado Ricardo Barros, disse que não sabe o que se passa no ministério… se esperava dele uma declaração confirmando ou contestando; ao que tudo indica o deputado tenha gravação [da conversa], prova, e o presidente certamente recuou”.
O senador do PSD aponta que além da Covaxin, há indícios de irregularidades nos contratos de aquisição da vacina russa Sputnik e da vacina chinesa Convidecia: “Essa vacina [Convidencia] foi a mais cara, custou 19 dólares. Inclusive, a vacina Sputnik, que o Consórcio do Nordeste comprou por 9 dólares, o governo via Ministério da Saúde comprou por 13;tudo superfaturado, sem dúvida”.

Malfeito
O senador acredita que o presidente da República, Jair Bolsonaro, tenha tomado conhecimento das irregularidades no mês de março, quando promoveu uma limpa com o objetivo, segundo o parlamentar, de ocultar “o malfeito”.
“Março deste ano foi o mês em que Bolsonaro, tomando conhecimento, demitiu todo mundo. O ex-ministro Ernesto Araújo, que fez advocacia administrativa em favor da Bharat Biotech. Ernesto caiu no dia 29, Pazuello no dia 23, Fabio Wajngarten, que está envolvido, caiu dia 18 e o coronel Élcio Franco dia 23. A tropa toda que estava metida nessa lambança foi demitida à época, na tentativa de ocultar os malfeitos”, explicou Otto Alencar.
O senador avalia que é muito provável que o presidente da República tenha conhecimento dos fatos que ocorriam no Ministério da Saúde: “E aí é que, se isso for confirmado, o presidente não tomou as providências quando Luis Miranda levou a ele a corrupção, disse que acionou a PF, depois a PF negou [que tenha sido notificada], disse que falou com Pazuello, mas ele já estava demitido, foi uma desculpa esfarrapada; Nós vamos investigar bem todos os fatos”.
Escândalo
O senador do PSD da Bahia, que participa de sua terceira CPI no Senado Federal e que já está na vida pública desde antes da retomada democrática no Brasil, lamenta que o país conviva com frequentes escândalos.
“É lamentável que, em 32 anos de República, de eleições diretas, do sistema Republicano, tenhamos crises recorrentes. Collor teve que renunciar para não ser cassado. Tivemos crises com FHC, denúncias de irregularidades; Tivemos com Lula, Dilma, com Michel Temer e agora Bolsonaro. É uma democracia de crises recorrentes que precisam ser estancadas. O caminho é, sem dúvida, a fiscalização dos órgãos de controle para não permitir que não aconteçam essas coisas; eu não comemora nada disso, eu lamento que o dinheiro público seja mal aplicado”, desabafou Alencar.
Pergunta que não cala…!!! No Ministério da Saúde, quem será o ALI BABÁ…??? “ABRE-TE SÉSAMO “!!! EM FRENTE SENADOR OTTO ALENCAR!!!