O ex-deputado federal e atual cacique do MDB, Lucio Vieira Lima, avalia que não há motivos para não receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso o mesmo queira sentar novamente com o MDB para discutir os caminhos para a Bahia e para o Brasil.  Cumprindo prisão domiciliar, o irmão do atual cacique do MDB, Geddel Vieira Lima, foi ministro da Integração Nacional do governo Lula.

Entre os deputados federais que votou a favor do impeachment de Dilma Roussef (PT), Lucio acredita que é um erro confundir um ato protocolar contra um presidente com um posicionamento partidário: “O impeachment foi de Dilma, não foi do PT”. 

O político acredita que hoje, à luz dos acontecimentos, há quem se arrependa de ter sua digital na derrubada da presidente do PT. Ele avalia que, apesar de todos os acontecimentos, se levar em conta o que tinha de conhecimento à época, havia motivos para o afastamento da presidente da República, acusada de uma manobra financeira conhecida como pedaladas fiscais: “Hoje se discute se o impeachment foi golpe ou não. Naquele momento, lá atrás, com o pensamento que tínhamos à época, o impeachment cabia; agora podem me questionar, se hoje que isso foi um erro, eu responderia que o juiz de tudo chama-se história”. 

Em tom de ironia, o político faz uma reflexão sobre o impeachment e avalia que os mesmos que criticaram o ato de 2016, pedem um fato quase nos mesmos moldes em 2021: “Naquele momento o caminho era o impeachment. Foi o discurso que a sociedade comprou. Quem está aí [Bolsonaro] tem titularidade e legitimidade para governar. Está fazendo besteira, na opinião de alguns, que dizem que ele tem que sofrer impeachment. Se isso ocorrer, também vai gerar questionamentos sobre o processo, para retirada [do cargo] sem questionamentos é só através do voto, de uma eleição. Quando se faz via impeachment, sempre vai gerar questionamentos”. 

Lucio cita como exemplo a Operação Lava Jato, para mostrar a profunda mudança que houve na sociedade de 2016 para 2021.  

“Olha o exemplo da Lava Jato. Tem gente que elogia bastante a Lava Jato, Sérgio Moro, e hoje ouço essas pessoas, escuto jornalistas que antes santificaram tudo isso dizer que teve exagero, que prejudicou a economia, que é responsável pelo desemprego, pela quebra de empresa; e eu não estou defendendo ou atacando, foi um momento que existiu. Como tudo na vida, o impeachment tem seu lado positivo e negativo. Se fosse hoje, teríamos pessoas que apoiaram e que não apoiaram”, avaliou Lúcio.  

Bipartidarismo

O ex-deputado federal avalia que hoje a política está caminhando para uma homogeneização, e que, por isso, o diferencial para o crescimento de um partido passa pela capacidade de diálogo com vários atores políticos. 

“Antes havia o pensamento da esquerda e o de direita, hoje esquerda e direita são muito similar. Qual é a diferença que tem de pensamento? É tudo mesma coisa, quando para pra falar com um dos lados é o mesmo discurso: “de diminuir a desigualdade social, trabalhar pelos descamisados”; é um discurso linear, sempre é, com propostas de governo que por vezes abrange tudo sabendo que vai se fazer muito pouco ou nada”, desabafou Lima. 

Cético, o cacique do MDB não pensa em voltar para política partidária e avalia que a política no país está vivendo um período de fusão ideológica. 

“Tudo na verdade, hoje, é centro-direita. Ideologicamente, não tem nenhuma diferença que me faça, que me impeça de marchar com A, B, C, D ou E; antes que me pergunte se com isso eu vou com o fisiologismo barato, de quem oferece mais, eu digo que não, que com isso temos a oportunidade de estudar qual é a melhor proposta de projeto para Bahia”, destacou o ex-deputado federal. 

Na política desde os anos 1980, Vieira Lima acredita que o país está mergulhando novamente na “política do confronto”. 

“Hoje estamos voltando ao tempo do bipartidarismo, dos tempos do PFL e PMDB, onde ganhava voto quem tivesse a capacidade de subir palanque e atacar mais o outro. Com isso a política sai perdendo. Aqui na Bahia eu não digo que não converso com o PT e nem com ninguém. Converso todo mundo, não é fisiologismo, é minha postura, eu prefiro uma política do diálogo”, explicou o ex-parlamentar. 

Questionado sobre o posicionamento do presidente do MDB, Baleia Rossi, que disse em abril que o partido tentará uma terceira via, não dialogando com Lula e nem com Bolsonaro, Lúcio Vieira Lima foi além: “Baleia está certo, mas eu, como tese, não defendo nem uma terceira via, mas uma candidatura própria. Ninguém pode ser no MDB a uma contra candidatura própria. Para isso é preciso Viabilidade política, eleitoral e financeira. E isso você só constrói com diálogo”.

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