A Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital) classificou como mais um “declaração absurda”, a fala do ministro Paulo Guedes na última quinta-feira (18), em evento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstra seu total despreparo, preconceito e desconhecimento do funcionamento de seu próprio país. O povo brasileiro necessita de políticas sérias e efetivas para combater a desigualdade – e não de medidas paliativas que infringem normas sanitárias e preceitos humanitários básicos”, crítica Fanafisco na nota.

No evento da ABRAS, o ministro da Economia afirmou:

“Notamos o desperdício no Brasil, desde a produção, passando pelo supermercado e até chegar às nossas mesas. Isso é um grande problema. Toda alimentação que não for utilizada aquele dia num [suposto] restaurante dá para alimentar mendigos e pessoas desamparadas. Muito melhor do que estragar a comida. Você vê um prato de um classe média europeu, que enfrentou duas guerras mundiais, e nota que são pequenos, enquanto os nossos não. Há muito desperdício. Não pode o celeiro do mundo ser um país que tem fome”, opinou Guedes no evento da ABRAS.

Sobre o discurso do Guedes, diz Fenafisco:

“Além de afundar a economia, beneficiar os mais ricos e tentar privatizar o Estado brasileiro, principalmente por meio da fragilização dos serviços públicos com a reforma administrativa, Guedes novamente se posiciona de forma elitista ao falar que os brasileiros de classe média comem demais e as sobras de alimentos deveriam ser utilizadas para mitigar o problema da fome. Mais de 125 milhões de brasileiros vivem atualmente sem a certeza do prato de comida na mesa e com uma política econômica que ignora os mais pobres e reduz o atendimento público”, diz a Federação.

Tributação

A Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital), para tornar o país mais justo, criou o documento ‘Tributar os Super-ricos para Reconstruir o País’, que demonstra a capacidade do governo de arrecadar R$ 292 bilhões ao ano com oito medidas tributárias. O montante pode ser utilizado para financiar programas sociais, além de ajudar na redução da desigualdade, aumentando a justiça fiscal no Brasil com um sistema tributário progressivo.

“Falas como a de Paulo Guedes só reforçam o despreparo das cabeças que comandam atualmente a nação. Para sair da crise, aprofundada nos últimos anos por ações ineficientes, é necessário o fortalecimento dos serviços públicos e amparo à população mais vulnerável”, diz a Fenafisco.

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