O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), cassado por suspeita de superfaturamento em hospital de campanha, aproveitou o seu tempo na CPI da Covid para atacar o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e fazer uma defesa sobre seu processo de impeachmant.

“Meu impeachment aconteceu porque eu mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Que a justiça seja restabelecida e quem sabe, o mandante do caso Marielle vai ser descoberto. Eu corro risco de vida, eu tenho certeza, porque a máfia da Saúde no Rio e quem está envolvido por trás, e tenho certeza que tem miliciano por trás disso, eu corro risco e a minha família; por isso já disse que minha intenção é me retirar do país para preservar a minha integridade física e de minha família”, desabafou Witzel.

O ex-chefe do executivo do Rio de Janeiro disse que após investigar o caso Marielle, começou-se uma cruzada contra ele: “Ver um presidente, em Dubai, acordar de madrugada para me atacar, dizer que estava manipulando a polícia?! A afirmação de que eu estava intervindo para que a investigação de Marielle não foi feita. A partir do caso Marielle percebi que o presidente começou a me retaliar. Fui falar com o ministro Guedes no avião ele virou a cara, disse que não poderia falar comigo”, desabafou Witzel.

“Quantos crimes de responsabilidade esse homem terá que cometer para pararmos ele?”, questionou Wilson Witzel.

Máfia

O ex-governador afirmou também que seu impeachment foi financiado por OAS da Saúde do Rio e que alguém recebeu para promovê-lo. Ele citou a OAS Nova Esperança como uma das operadoras das irregularidades.

“A maior máfia do Rio é a da Saúde. Meu impeachment de forma acelerada. O Vice-governador, o presidente da AleRJ, estavam sendo investigados, com a corda no pescoço, e ao final, quando sou cassado, isso acabou, morreu, não tem mais investigação”. Isso é parcialidade. Estou preocupado, pois pode ter alguém do sistema de justiça do país por trás. Fui perseguido por instituições que não poderiam se politizar”, criticou o ex-governador.  

Ele acusou o empresário do ramo da Saúde, Edson Torres, de estar por trás do movimento para seu impeachment, “está solto operando livremente”.

O ex-chefe do executivo do Rio afirma que os hospitais de campanha, em sua gestão, foram sabotados através de reportagens estimuladas por deputados: “Houve sabotagem dos hospitais de campanha por parte de alguns deputados. Um deputado de forma aloprada disse que havíamos gastos R$ 25 mil com jardinagem, e o valor era gasto para limpeza da UTI”.

Bolsonaro

O ex-governador do Rui criticou Jair Bolsonaro (sem partido) por não dialogar com governadores.

“Como um país tem um presidente da República que não dialoga com governadores. O único responsável pelas 400 mil mortes tem nome, endereço, tem que ser responsabilizado aqui ou no tribunal internacional”, sinalizou Wilson. 

Wilson afirma que o presidente da República optou por uma narrativa para fragilizar os governadores.

“Ele criou a narrativa de que os governadores vão destruir emprego, pois sabia que isso traria consequência grave. Avisei para ele [Bolsonaro], que ele precisaria liderar, sentar na cadeira e não ficar fazendo carreata, motociata, carreatas me desafiando, fazendo com que a população ficasse contra os governadores e prefeitos. A narrativa visava colocar governadores em fragilidade, governadores que tomaram as medidas necessárias de isolamento social. Fui o primeiro governador a decretar isolamento social, no dia 13 de março”, destacou Witzel.  

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