Motim no DEM que colocou ACM Neto em xeque rendeu projeção nacional a Elmar Nascimento e a Arthur Maia

Arthur Maia, Elmar e Lira

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Cabeças da dissidência do Democratas Bahia na eleição para presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro, os deputados federais Elmar Nascimento e Arthur Maia estão colhendo os frutos por conseguir levar toda bancada da legenda no estado ao colo de Arthur Lira (PP-AL).

Elmar Nascimento (DEM) foi escolhido o relator da MP da Eletrobrás, aprovada na Câmara em abril. Arthur Maia (DEM) foi indicado como o relator da Reforma Administrativa, em tramitação na Casa.

A indicação dos parlamentares baianos demonstra a confiança do Palácio do Planalto no desempenho e na fidelidade aos objetivos centrais do projeto em questão, é o que avalia o cientista político Cláudio André.

“A escolha da relatoria envolve o objetivo de cacifar, de fazer crescer a liderança política de alguns parlamentares. Então, a escolha de dois políticos baianos, ligados ao Democratas, com certeza envolve uma articulação do Planalto para conseguir de alguma forma dar evidência às lideranças políticas que tenham nesse momento uma margem de independência em relação à ACM Neto. É também parte de um projeto do Planalto de reforçar o seu time, suas lideranças na Bahia”, explicou André.

Articulação para eleição de Arthur Lira rendeu a Elmar Nascimento a indicação para relatoria da MP da Eletrobrás / Foto: Câmara dos Deputados

O movimento de Nascimento e Arthur Maia, contra recomendação do Democratas, quase levou a maior parte da bancada, no dia da eleição, a declarar apoio formal ao candidato do PP, que tinha como padrinho o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O fato colocou em xeque a liderança de ACM Neto e sua capacidade de articulação, já que, apesar de sinalizar ter sido atropelado no processo pelas articulações dos dissidentes, acabou sendo acusado pelo agora ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), de ter feito jogo duplo durante as negociações para presidência da Casa, afirmando que o DEM estaria com o candidato à sucessão de Maia, Baleia Rossi (MDB), enquanto não atuava para conter a sanha da dupla governista.

Ao término do processo, o presidente do DEM se disse satisfeito ao conseguir manter o Senado Federal sob o comando do partido. A visão destoa do que avalia o Rodrigo Maia, que avalia que o ex-prefeito de Salvador ganhou fama nacional de mentiroso e que perdeu o respeito e a confiança na política.

“A escolha da relatoria também envolve a própria composição política interna das forças do congressuais. É importante destacar que precisam ser nomes de confiança do presidente da Casa e que, ao mesmo tempo, também contam com a confiança da base governista. Eu vejo que a escolha tanto de Arthur Maia quanto de Elmar Nascimento reforçam o protagonismo dos deputados baianos diante do cenário nacional, com exposição midiática, entrevistas, o que é resultado de uma estratégia política elaborada”, destaca o cientista político. 

Projeção

Apesar da inegável projeção oriunda da indicação de projetos que alteram estruturas do estado brasileiro e afetam vidas, o cientista político avalia que a MP da Privatização da Eletrobras e a PEC da Reforma Administrativa são facas de dois gumes.      

“São dois temas relativamente que dividem o país e ao mesmo tempo podem dividir o eleitorado baiano. São temas controversos e que podem impactar nas próprias bases eleitorais dos deputados. Nós temos uma opinião pública relativamente dividida em relação à continuidade de privatizações, ainda mais na área de infraestrutura, como a Petrobras, Eletrobras, Correios etc”, avalia André. 

Apesar de prever recursos para o término da transposição do São Francisco, cerca de R$ 250 milhões por ano, o relatório de Elmar Nascimento na MP da Eletrobras, ao manter as termelétricas, abre brecha para o aumento da conta de luz. Abrace (Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) estima que o aumento para os consumidores pode ser de até 20% e os custos do setor, até R$ 67 bilhões.

O especialista destaca que o mesmo vale para Reforma Administrativa, que estará nos holofotes por promover reforma no sistema de vinculação dos servidores ao estado e na remuneração.  

“Se uma parte da sociedade acha que é importante melhorar os serviços públicos, melhorar a gestão pública, por outro lado a gente tem uma classe média que é ligado ao funcionalismo público e não apoiam uma mudança estrutural. Ao mesmo tempo, é um tema que também afeta os prefeitos e as bases eleitorais dos deputados”, destaca o especialista. 

Relatório de Arthur Maia na PEC da Reforma Administrativa sofrerá pressão e será acompanhado de perto por associações de classe e membros dos três poderes / Foto: Câmara dos Deputados

Cláudio André avalia que o deputado federal Arthur Maia deverá levar em conta o impacto que seu relatório terá. Ele avalia que se construir um texto acreditando que o impacto das medidas ficarão para o futuro e que não deve afetar uma eventual eleição em 2022, é bom pensar bem.    

“Então, a gente está diante de uma questão que deve passar por um cálculo político. A avaliação pode ser de que são temas que não vão afetar de imediato, ou que não estarão colocados até às eleições, que não vão se resolver até lá. Eu considero que isso ainda tá em aberto, mas é importante destacar que são temas que ao mesmo tempo que dão grande visibilidade, também colocam em debate uma discussão pública controversa, composições distintas e com grupos de interesse que vão se colocar também de uma forma bastante evidente nesse processo, que pode gerar margens tanto de bônus quanto de ônus político”, destacou André. 

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