A Polícia Federal concedeu uma coletiva na manhã desta sexta-feira (11) para tratar da Operação Estertor, que investiga fraudes em procedimento de dispensa de licitação realizado pelo Município de Candeias para a aquisição de 8 (oito) ventiladores mecânicos pulmonares com verbas públicas federais destinadas ao enfrentamento da Covid-19.

32 policiais federais e 9 servidores da CGU cumpriram 8 mandados de busca e apreensão, todos eles expedidos pelo Juízo da 17ª Vara Criminal da Seção Judiciária da Bahia, sendo 3 em Candeias/BA, 1 em São Sebastião do Passé/BA, 1 em Lauro de Freitas/BA, 2 em São Paulo/SP e 1 em Espírito Santo do Pinhal/SP.

A PF encontrou armas não registradas na casa de Pitágoras (PP), prefeito da Cidade, que acabou sendo conduzido à PF para prestar esclarecimentos. Ele pagou fiança e foi liberado.

Armas apreendidas na Casa do Prefeito / Foto: Divulgação PF

Licitação

A delegada da Polícia Federal Juliana Dourado afirmou que foram apreendidos documentos, computadores e cerca de R$ 100 mil reais em espécie. Ele citou alguns fatos que chamaram atenção da PF e da CGU: “Todos os processos de dispensa [de licitação] e contratação foram realizados em um único dia” e a “empresa contratada”, além de não ser especializada do ramo de fornecimento de respiradores, “atua no ramo de automóveis”, com histórico de “venda de veículos para o poder público”.

Dourado lembrou que no momento da compra Cadeias tinha registrado apenas um caso da Covid-19, e que em abril, quando os respiradores foram adquiridos, o município teria feito um empréstimo de sete respiradores para o governo do estado repassar a outras cidades. O PF não confirmou se a compra foi entregue em sua integralidade: “Só comprova que na época não havia emergência pra esse tipo de equipamento que justificasse essa compra tão açodada. Foram valores que deveriam ter sido utilizados em ações de saúde para o enfrentamento da pandemia”.

Por questões do processo de investigação, a delegada informou que PF não poderia divulgar os nomes dos alvos, mas confirma que um dos mandados foi cumprido na Secretaria Municipal de Saúde de Candeias e outro na Superintendência de Gestão do município. Mandatos também foram cumpridos na matriz da empresa envolvida no caso, em São Paulo, e outro em uma filial em Lauro de Freitas.

Superfaturamento

O superintendente da Controladoria-Geral da União (CGU), Ronaldo Machado, afirmou que a operação Estertor é fruto de uma denúncia do Ministério Público Federal: Iniciamos uma pesquisa de preço e identificamos superfaturamento da ordem de R$ 100 mil por cada equipamento”. O membro da CGU afirmou que o superfaturamento de respiradores e máscara foi de R$800 mil – valor foi repassado para o combate à Covid-19 -, e que a quantia chegou a ser bloqueada das contas de Soraia Cabral, primeira-dama da cidade e ex-secretária de Saúde, do superintendente de gestão de Candeia, Marcelo de Jesus Cerqueira, da empresa Manupa Comércio e de seus representantes, Manuella Jacob e Luís Eduardo Pacheco Alves, em 2020.

Aplicação irregular do recurso público reservado para o combate à Covid-19 ocorreu na gestão da primeira dama na Secretária de Saúde de Candeias / Foto: Reprodução Redes Sociais

Operação

Cada ventilador custou aos cofres municipais 175.000,00 (cento e setenta e cinco mil reais), totalizando vultosos R$ 1.400.000 (um milhão e quatrocentos mil reais), valores esses manifestamente incompatíveis com os de mercado, chegando a revelar uma diferença de mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por equipamento.
Foram identificados fortes indícios de fraudes no procedimento de dispensa de licitação para a aquisição dos ventiladores, destacando-se os seguintes:

Os investigados responderão pelos crimes de fraude à licitação e peculato (artigos 89 e 96, incs. I e V da Lei 8.666/93 e art. 312 do Código Penal).

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