A médica microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), afirmou, em oitiva na CPI da Covid, na manhã desta sexta-feira (11), que já foi comprovado, desde 2020, que o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina para o tratamento contra Covid-19 não funciona.

“A cloroquina já foi testada e falhou para várias doenças provocadas por vírus, como zica, dengue, o próprio Sars, aids, ebola, nunca funcionou e também não tem grande probabilidades de funcionar [para o novo coronavírus], nunca teve. Evidências anedóticas, ah meu vizinho, meu cunhado, meu tio tomou e se curou, evidências anedóticas não são evidência científica, elas não servem para ciência, são apenas causas, são apenas história. O plural de evidências anedóticas não são evidências científica, é só um monte de evidências anedóticas”, destacou Pasternak. 

A especialista afirma que estudos foram realizados e mostram que dose baixa da cloroquina “não funcionava” e dose alta “pode matar”. 

“O vírus usa outro caminho para entrada da célula, ao qual a cloroquina não faz nem cosquinha. Senhores, a cloroquina foi testada em tudo, em animais, humanos, e só não testamos em emas porque as emas fugiram”, ironizou a médica, citando um episódio em que uma ema fugiu após o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), oferecer uma caixa de hidroxicloroquina.

A médica criticou o Ministério da Saúde, o governo federal e Jair Bolsonaro pela insistência na tese de que é lógico utilizar o medicamento já que há divergências científicas sobre o medicamento.

“Isso não é falta de informações, é negacionismo. Negar a ciência e usar em políticas públicas é uma mentira, uma mentira orquestrada pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. Essa mentira mata. Leva pessoas a comportamento irracionais não baseada na ciência, serve para cloroquina, mas serve também para o uso de máscara, para compra de vacinas que não foi feito em tempo”, criticou Natalia Pasternak.

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