O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, durante uma live na noite da última quinta-feira (28), que sondou comunidades indígenas e descobriu que eles realizaram um tratamento precoce através de planta medicinais, o que, segundo ele, evitou óbitos em aldeias. A live foi gravada no Amazonas, onde visita comunidades indígenas.

Ele afirmou que entre os Ianomâmis, apenas três índios morreram: “todos bem idosos”.

Ele sugeriu ao presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (MDB), que realizasse o convite para indígenas explicar o tratamento precoce “sem comprovação científica” na CPI.

“Poderia convidar os índios e levar chá de Carapanaúba, Saracura e chá de Jambu. Eu não vou dizer o que eu tomei porque vão cortar os sinais da internet”, ironizou o presidente, sinalizando que também adotou o tratamento precoce, só que através da Hidroxicloroquina.   

Proteção

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última segunda-feira (24) que o governo federal adote medidas imediatas para garantir a proteção à vida, à saúde e à segurança dos indígenas que vivem nas terras indígenas Yanomami, em Roraima e Amazonas, e Munduruku, no Pará.

A decisão atende ao pedido feito pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), pela Defensoria Pública da União e por organizações de direitos humanos e partidos políticos, que solicitaram a proteção aos indígenas citando uma escalada de violência nas regiões e os riscos de transmissão da covid-19 nestes territórios. A ação pediu ainda a retirada de garimpeiros dos territórios indígenas.

Contradição

Os números de Bolsonaro contrastam com o que contabilizam as entidades indígenas, a exemplo da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Segundo dados da Coiab, o Amazonas é o estado com mais registros e óbitos de indígenas por covid-19 dos nove estados da Amazônia Legal.

A entidade afirma que foram confirmados 9.029 casos da doença e 304 óbitos, atingindo 38 povos do estado.

Os dados contabilizados até 22 de março revelam que o Amazonas concentra mais de ⅓ das mortes de indígenas da Amazônia Legal e inclui os indígenas que vivem em terras demarcadas e os que vivem nas cidades. Por isso, os dados divergem das informações da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Governo Federal, que só contabilizam os casos entre indígenas aldeados.

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